BIANCA LIMA SILVA

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                    MUNDO VIRTUAL, PERIGOS REAIS: COMO
NAVEGAR SEM AFUNDAR

MUNDO VIRTUAL, PERIGOS REAIS: COMO
NAVEGAR SEM AFUNDAR
Cartilha Digital apresentada pela mestranda Bianca Lima Silva
ao Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede,
sob orientação da docente Profa. Dra. Luciana Santos Costa
Vieira da Silva, como parte dos requisitos para obtenção do
título de Mestre em Administração Pública.

OIRÁMUS
Resumo

03

Cyberbullying

04

Desafios e Jogos Perigosos

08

Nudes: entenda o perigo ao enviar

11

Convivência e Respeito: construindo um
mundo mais justo

15

Violência na família - Impacto no ambiente
escolar

Tráfico de Pessoas

21

25

Objetivos da proposta de intervenção

Contexto

35

36

Público-alvo

Descrição da situação-problema
Protocolo de recebimento do produto
técnico-tecnológico

37

38

39

CARTILHA DIGITAL

03

RESUMO
Este Produto Técnico-Tecnológico tem como objetivo contribuir para o enfrentamento
das violências contemporâneas no contexto escolar, com foco nos alunos do 6º ao 9º
ano do Ensino Fundamental. Fundamentado nas competências da BNCC (2018), a
proposta apresenta uma abordagem pedagógica integrada, articulando educação
digital, formação cidadã e desenvolvimento socioemocional. Por meio de uma
metodologia qualitativa e participativa, os professores poderão trabalhar temas
relevantes, selecionados a partir de um rol exemplificativo, e aplicar atividades em
sala de aula para facilitar a assimilação dos conteúdos. A proposta inclui ainda a
realização de trabalhos em equipe, de forma expositiva e colaborativa, com o intuito
de promover a conscientização sobre a prevenção da violência, a identificação de
sinais de risco no ambiente escolar e na comunidade, e a disseminação de
conhecimentos que favoreçam uma cultura de paz.

CARTILHA DIGITAL

04

Nas sociedades ocidentais, a adolescência é compreendida como uma fase fundamental do
desenvolvimento humano, marcada pela transição entre a infância e a vida adulta. Durante esse
período, o indivíduo vivencia intensas transformações corporais e hormonais associadas à
puberdade, além de um processo gradual de amadurecimento psicológico e uma crescente
necessidade de integração social. A busca por aceitação entre os pares torna-se um aspecto
central da experiência adolescente, contribuindo para tornar essa etapa potencialmente conflituosa.
Nesse contexto, as interações sociais podem ser permeadas por comportamentos violentos,
destacando-se a vitimização entre colegas, conhecida como bullying, frequentemente iniciada por
volta dos 10 anos de idade.
O bullying é compreendido como um fenômeno social sustentado por relações assimétricas de
poder entre agressor e vítima. Caracteriza-se por ações intencionais e repetitivas de natureza física,
psicológica, moral, sexual ou virtual, sendo esta última referida como cyberbullying.
O cyberbullying, por sua vez, consiste em um comportamento recorrente disseminado por meio
das tecnologias digitais, cujo objetivo é intimidar, enfurecer ou humilhar a vítima. Essa forma de
violência costuma ocorrer em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e dispositivos
móveis. Certos grupos sociais, especialmente minorias — como pessoas LGBTQIA+, indivíduos com
sobrepeso ou com alguma deficiência física ou mental — são mais propensos a sofrer esse tipo de
violência em comparação com outros perfis populacionais.
As consequências do bullying e do cyberbullying são amplas e não se restringem às vítimas
diretas. Atingem também os agressores e os que presenciam os episódios de violência. Estudos
indicam que tanto vítimas quanto perpetradores apresentam maior propensão a comportamentos
de risco, como uso abusivo de álcool e drogas, práticas sexuais desprotegidas, automutilação e
ideação suicida.
Além disso, é comum o surgimento de dificuldades de adaptação escolar e social, bem como
quadros de ansiedade, depressão e isolamento, que comprometem significativamente a qualidade
de vida. Entre os espectadores, o contato precoce com situações violentas pode desencadear
alterações no funcionamento do sistema nervoso e favorecer padrões de comportamento
emocional desregulado. Diante desse cenário, o bullying e o cyberbullying configuram-se como
sérios problemas de saúde pública, exigindo intervenções urgentes e estratégias eficazes de
prevenção.
Brincadeiras entre amigos são comuns, mas nem sempre é fácil identificar quando passam do
limite e se tornam ofensivas, especialmente em ambientes virtuais. Expressões como “foi só uma
brincadeira” ou “não leve a sério” muitas vezes são usadas para disfarçar atitudes que causam
desconforto.
Quando a pessoa se sente ferida ou ridicularizada, e o comportamento persiste mesmo após um
pedido para que cesse, isso pode caracterizar uma situação de bullying. No meio online, esses
episódios podem alcançar grandes proporções, envolvendo até desconhecidos, o que agrava o
impacto emocional sobre a vítima. Nessas circunstâncias, é importante reconhecer que ninguém
deve tolerar atitudes que gerem sofrimento ou constrangimento, sendo necessário buscar apoio e
tomar providências.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Araújo AF, Oliveira VR, Torres RAM, Tavares NBF, Freitas CHA, Quixadá LM. Estra-tégias
de enfrentamento ao bullying e cyberbullyingdesenvolvidas por adolescentes:
Revisão Integrativa da Literatura. Rev. Eletr. Enferm. 2024;26:77067.
https://doi.org/10.5216/ree.v26.77067
UNICEF. Cyberbullying: o que é e como pará-lo. Fundo das Nações Unidas para a
Infância, Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/cyberbullying-oque-eh-e-como-para-lo. Acesso em: 29 abr. 2025.

CARTILHA DIGITAL

05

Você sabia que aquela "zoeirinha" online
pode machucar mais do que um empurrão?

Se isso acontecer com você, lembre-se:
você não está sozinho!

O cyberbullying acontece quando alguém
usa celulares, redes sociais ou jogos para:

Print tudo – serve como prova
Converse com seus pais, professores ou
um adulto de confiança
Use os botões de denúncia nas redes
sociais (procure a opção “Reportar”)
Evite expor dados pessoais, como nome
completo e escola
No Brasil, o cyberbullying pode ser
enquadrado na Lei Carolina Dieckmann
Se estiver muito triste, ligue 188 –
atendimento gratuito e sigiloso

Machucar de propósito (não é sem
querer)
Fazer isso várias vezes (não é só uma
vez)
Atacar quando a vítima não pode se
defender (isso é covardia!)
Isso é sério!

📊 Pesquisas mostram que:
• 1 em cada 3 jovens já sofreu cyberbullying
(e muitos não contam para ninguém)
• As vítimas podem sentir medo de ir à
escola, ter notas baixas e até problemas de
saúde
• Em casos graves, alguns jovens já
pensaram em desistir de viver

Seja o herói da história:
Se vir alguém sofrendo, não compartilhe
– apoie!
Antes de postar algo, pergunte: “Isso
pode machucar alguém?”
Denuncie anonimamente nas redes
sociais

Por que dói tanto?
A humilhação se espalha rapidamente e
todo mundo vê
Não tem hora para acabar – continua
até de noite no celular
Muitos agressores se escondem atrás de
perfis falsos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Lei nº 12.737, de 30 de novembro de 2012. Dispõe sobre a tipificação criminal de
delitos informáticos. Disponível em: Texto do seu parágrafo. Acesso em: 27 abr. 2025.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA – CVV. Apoio emocional gratuito e sigiloso.
Disponível em: Texto do seu parágrafo. Acesso em: 27 abr. 2025.
IPSOS. Global Advisor Survey: Cyberbullying. São Paulo, 2021. Disponível em: Texto do
seu parágrafo. Acesso em: 27 abr. 2025.
SAFERNET BRASIL. Orientações sobre o impacto emocional do cyberbullying e
segurança digital. Disponível em: Texto do seu parágrafo. Acesso em: 27 abr. 2025.
UNICEF BRASIL. Publicações e campanhas sobre cyberbullying. Disponível em: Texto do
seu parágrafo. Acesso em: 27 abr. 2025.
Ocio, Prevención del Bullying y Ciberbullying en Adolescentes: una Revisión
Sistemática. (2025). Electronic Journal of Research in Education Psychology, 23(65),
115-138. https://doi.org/10.25115/h78xgh41

CARTILHA DIGITAL

06

1. O que é cyberbullying?
a) Brincadeiras entre amigos online
b) Ofensas ou humilhações repetidas na
internet
c) Postar fotos de animais fofos

6. O que fazer se ver cyberbullying com um
amigo?
a) Ajudá-lo a denunciar e oferecer apoio
b) Tirar print e espalhar para mais gente
c) Ignorar, porque não é com você

2. Qual desses NÃO é um exemplo de
cyberbullying?

7. Qual frase
cyberbullying?

a) Curtir uma foto de aniversário
b) Criar um perfil falso para zoar alguém
c) Espalhar mentiras sobre um colega no
grupo da escola

a) "Ninguém gosta de você, suma!"
b) "Bom dia, turma!"
c) "Você jogou bem hoje!"

3. Se você receber uma
ofensiva, o que deve fazer?

mensagem

a) Responder com mais ofensas
b) Printar e mostrar a um adulto de
confiança
c) Apagar e fingir que não viu
4. Qual rede social permite denunciar
cyberbullying?
a) Todas as opções
b) Apenas Instagram
c) Apenas jogos online
5. Criar memes com fotos de colegas sem
permissão pode ser...
a) Inofensivo, se for engraçado
b) Cyberbullying, se humilhar alguém
c) Sinal de criatividade

é

um

exemplo

8.
O
cyberbullying
pode
consequências jurídicas?

levar

de

a

a) Sim, é crime e pode dar processo
b) Não, porque é "só brincadeira"
c) Só se a vítima for famosa
9. Posso zoar alguém no privado sem ser
cyberbullying?
a) Sim, se só uma pessoa vir
b) Não, ofensas são erradas em qualquer
lugar
c) Depende do nível da "zoeira"
10. Qual desses é um perfil seguro para usar
online?
a) @ana123 (sem nome completo, idade ou
escola)
b) @maria_silva_escolaX
c) @joao-13-anos-rio

CARTILHA DIGITAL

07

Cartazes informativos e criativos: Utilize cores vibrantes e design atrativo para
capturar a atenção. Inclua estatísticas sobre o impacto do cyberbullying, frases de
impacto como “Sua palavra tem poder – use-a com sabedoria” e dicas práticas de
prevenção, como manter as configurações de privacidade nas redes sociais.
Vídeo curto ou documentário: Um vídeo pode incluir dramatizações de situações de
cyberbullying e entrevistas com especialistas que oferecem conselhos sobre como
lidar com a situação. Depoimentos de vítimas reais também podem trazer um
impacto emocional significativo.
Podcast ou áudio: Crie uma série de podcasts com episódios dedicados a discussões
sobre o impacto psicológico do cyberbullying, entrevistas com psicólogos e
especialistas em segurança online, ou dramatizações de histórias reais (de forma
anônima) para aumentar a empatia e compreensão
Teatro: Encene uma peça que ilustra uma situação comum de cyberbullying,
mostrando não apenas o problema, mas também caminhos de superação e
empoderamento para as vítimas. Inclua momentos de interação com o público para
reflexão e discussão.
Quadrinho ou história ilustrada: Desenvolva uma narrativa que siga um personagem
jovem enfrentando cyberbullying. A história pode mostrar o apoio de amigos e
familiares e estratégias para superar a situação, com ilustrações atraentes que
capturam a atenção dos leitores.
Jogo educativo: Crie um jogo de tabuleiro ou digital com perguntas e desafios que
educam os jogadores sobre o que constitui cyberbullying, suas consequências e como
agir ao presenciá-lo. Inclua cenários hipotéticos para discussão e resolução de
problemas.

CARTILHA DIGITAL

08

Os chamados "desafios online" são conteúdos digitais que se popularizam entre jovens e
adolescentes nas redes sociais, muitas vezes apresentados como brincadeiras. Eles variam
desde tarefas inusitadas até ações ilegais ou perigosas, como vandalismo, ingestão de
substâncias tóxicas e jogos de asfixia. Apesar de parecerem inofensivos à primeira vista,
esses desafios podem provocar graves consequências físicas e psicológicas, incluindo
autolesões, lesões permanentes e até a morte.
Durante a adolescência, o cérebro ainda passa por importantes etapas de
desenvolvimento. A área responsável pelo raciocínio lógico e pela tomada de decisões, o
córtex pré-frontal, só atinge sua maturidade completa por volta dos 20 e poucos anos. Isso
contribui para comportamentos impulsivos e uma tendência natural dos adolescentes a
agir antes de refletir sobre as consequências. Além disso, nessa fase da vida, há uma
intensa busca por autonomia, pertencimento ao grupo e reconhecimento social.
As redes sociais potencializam esses comportamentos ao oferecer curtidas, visualizações
e compartilhamentos como formas de validação. Assim, muitos adolescentes aderem aos
desafios em busca de visibilidade e aprovação entre os pares, mesmo que isso implique
colocar sua saúde em risco. O medo de ficar de fora das tendências também colabora para
essa adesão inconsequente.
Estudos recentes identificaram dezenas de desafios populares no YouTube e em outras
plataformas, muitos direcionados especificamente a crianças e adolescentes. Entre os mais
perigosos estão os "jogos de asfixia", que simulam efeitos semelhantes aos de drogas e, por
isso, atraem jovens que desejam experimentar alterações de consciência sem recorrer ao
uso de substâncias ilícitas. No entanto, esses jogos têm alto potencial de causar danos
neurológicos permanentes ou até mesmo levar à morte.
Apesar da gravidade da situação, o tema ainda é pouco explorado no campo da saúde
pública. Os criadores desses conteúdos raramente são responsabilizados, enquanto os
adolescentes acabam arcando com as consequências mais severas. O termo "desafio"
mascara a verdadeira natureza dessas práticas, muitas vezes violentas ou perigosas.
Em contrapartida, profissionais da saúde e instituições vêm desenvolvendo iniciativas
educativas para alertar sobre os riscos desses desafios. Esses materiais buscam não
apenas informar os jovens, mas também conscientizar os pais sobre a importância de
acompanhar o que seus filhos consomem online. Reforçar o diálogo, a orientação e o
monitoramento do ambiente digital é essencial para prevenir novas tragédias e proteger a
saúde física e mental da juventude.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DESLANDES, S.; COUTINHO, T.. Prevenção de “brincadeiras perigosas” na internet:
experiência da atuação do Instituto DimiCuida em ambientes digitais . Saúde e
Sociedade, v. 31, n. 4, p. e210845pt, 2022.
PENSI - PESQUISA E ENSINO EM SAÚDE INFANTIL. Desafios e jogos perigosos da internet:
entendendo o seu apelo para jovens e crianças. Instituto PENSI, [s.d.]. Disponível em:
https://institutopensi.org.br/desafios-jogos-perigosos-da-internet-entendendo-oseu-apelo-para-jovens-e-criancas/. Acesso em: 29 abr. 2025.

CARTILHA DIGITAL

C

A
R
O

09

OU
M
E
G

CONSEQ

UÊN

CI

A?

O Impacto dos Desafios Extremos na Juventude

Responda às questões a seguir, utilizando argumentos consistentes e exemplos
quando pertinente:
1- O que são "desafios online" e por que eles se tornaram populares entre jovens e
adolescentes?
2- Alguns desafios na internet podem parecer brincadeiras inofensivas, mas escondem riscos
graves. Dê um exemplo de desafio perigoso e explique por que ele é prejudicial.
3- Por que os adolescentes são mais propensos a participar desses desafios do que os adultos?
(Pense no desenvolvimento do cérebro e na busca por identidade.)
4- Como as redes sociais (como YouTube, TikTok e Instagram) contribuem para a disseminação
desses desafios perigosos?
5- Muitos jovens participam de desafios arriscados para ganhar likes e visualizações. Na sua
opinião, por que a aprovação virtual é tão importante para alguns adolescentes?
6- Alguns desafios, como os de asfixia, podem causar lesões graves ou até a morte. Por que,
mesmo sabendo dos riscos, alguns jovens ainda os praticam?
7- O que pais, escolas e plataformas digitais poderiam fazer para ajudar a reduzir a
participação de jovens nesses desafios perigosos?
8- Se um amigo seu quisesse participar de um desafio perigoso, o que você diria ou faria para
convencê-lo a não tentar?

CARTILHA DIGITAL

10

OK ou ALERTA?": Nesta atividade interativa, os participantes analisam vídeos e imagens de
supostos desafios inofensivos. Utilizando cartões "OK" (para brincadeiras) e "ALERTA" (para
desafios perigosos), o público vota enquanto monitores explicam os riscos reais envolvidos.
São apresentados exemplos como o "Desafio do Desodorante", que pode causar queimaduras
químicas e outros.
"Desafio da Sobrevivência": Nesta estação será desenvolvida a prática de primeiros socorros,
focada em emergências causadas por desafios perigosos, profissionais (da saúde, bombeiros,
polícia) treinados podem demonstrar técnicas para casos de asfixia, intoxicação e
queimaduras químicas. Os participantes praticam em bonecos enquanto recebem
informações sobre possíveis sequelas permanentes.
"Click Consciente": Neste jogo de tabuleiro em tamanho humano (3x3m), os participantes
avançam ao responder dilemas digitais. Cada casa apresenta situações como: "Um amigo te
desafia a beber álcool em excesso" ou "Vídeos de um desafio perigoso estão se tornando
virais". As respostas mais adequadas são premiadas com "moedas digitais" que podem ser
convertidas em pontos nas disciplinas ou em prêmios.
"Hashtag #NãoCaioNessa": Nesta oficina de criação de conteúdo positivo, os grupos produzem
memes, vídeos curtos ou posts que desconstroem desafios perigosos. São fornecidos
templates com slogans como "Desafio saudável: beba água!" ou "Curta fotos, não riscos". Os
melhores trabalhos são impressos como adesivos ou publicados nas redes oficiais da escola
com a hashtag da campanha.
"Tribunal dos Influencers": Neste debate simulado, três grupos representam respectivamente:
influenciadores digitais, vítimas e “especialistas em direito digital”. Analisam casos reais de
desafios que resultaram em processos judiciais, utilizando artigos do ECA e leis sobre
responsabilidade na internet. Um "juiz" (professor) determina penalidades simbólicas, como
"perda de seguidores" ou "serviço comunitário digital".
"SOS Digital: Pedido de Ajuda Sigiloso": Neste sistema discreto, os participantes preenchem
formulários identificando o aluno, com campos como: "Já participei de algum desafio
perigoso?" e "Preciso de ajuda com...". Os formulários são depositados em urna trancada,
acessível apenas aos coordenadores. Uma equipe multidisciplinar realiza a triagem em 48
horas, garantindo atendimento personalizado. A atividade pode incluir um QR code para
acesso digital ao formulário. Esta ação pode ser desenvolvida com os profissionais da
assistência social que podem auxiliar nas questões de vulnerabilidade social e com
profissionais de saúde mental.

CARTILHA DIGITAL

11

Nas últimas décadas, observa-se um aumento significativo de relatos envolvendo
o vazamento não consentido de imagens íntimas entre adolescentes, fenômeno
conhecido como sexting. Essas ocorrências, frequentemente divulgadas nas redes
sociais, evidenciam os impactos psicossociais decorrentes dessa prática, servindo
como alerta para a população juvenil.
O sexting consiste no envio voluntário de conteúdo íntimo através de dispositivos
digitais, sendo motivado por diversos fatores. Entre os principais destacam-se a
busca por intimidade em relacionamentos afetivos, a impulsividade característica do
desenvolvimento adolescente, a pressão exercida por parceiros e a necessidade de
validação social. Contudo, o que inicialmente pode configurar-se como
manifestação de afetividade transforma-se em problema quando essas imagens
são compartilhadas sem autorização, seja por motivações vingativas (configurando
o revenge porn), por ações mal-intencionadas de terceiros ou por quebra de
confiança entre pares.
As consequências desse vazamento apresentam marcantes diferenças de gênero.
Enquanto indivíduos do sexo masculino frequentemente sofrem menor reprovação
social - chegando em alguns casos a obter certa validação entre pares -, as
adolescentes do sexo feminino enfrentam severo julgamento moral e estigmatização.
Essa disparidade torna-se ainda mais evidente em contextos socioculturais
conservadores, onde as normas de conduta sexual são particularmente rígidas para
mulheres.
Os prejuízos decorrentes dessa exposição não autorizada são multifacetados. No
plano individual, observam-se transtornos emocionais como ansiedade, depressão e,
em casos extremos, ideação suicida. No âmbito social, ocorrem frequentemente
processos de isolamento, evasão escolar e vitimização por cyberbullying. Agravando
essa situação, constata-se a insuficiência de redes de apoio institucional, deixando
os adolescentes desamparados diante dessas crises.
Embora as plataformas digitais possam potencializar os riscos, também oferecem
espaços de acolhimento. Numerosos jovens utilizam essas ferramentas para
compartilhar experiências e estratégias de superação, destacando a importância da
educação digital. Ressalta-se, contudo, que a privacidade corporal constitui direito
fundamental, sendo inaceitável qualquer forma de coação para obtenção ou
compartilhamento de imagens íntimas.

CARTILHA DIGITAL

12

As medidas preventivas devem priorizar três eixos principais: informação sobre
consentimento e privacidade digital, reflexão crítica sobre os riscos do
compartilhamento de conteúdo íntimo, e conhecimento dos mecanismos legais de
proteção. As instituições educacionais assumem papel crucial nesse processo,
devendo abordar o tema de forma transversal, integrando-o aos debates sobre
educação sexual e cidadania digital.
Cabe às escolas desenvolver abordagens pedagógicas que superem visões
moralizantes, enfatizando o respeito à intimidade e a igualdade de gênero.
Paralelamente, é fundamental estruturar sistemas de apoio psicossocial para atender
vítimas de vazamentos, assegurando seu direito à privacidade e dignidade.
Conclui-se que o enfrentamento desse fenômeno exige ação conjunta de famílias,
escolas e políticas públicas. A orientação sobre os riscos do sexting deve ser
acompanhada por discussões sobre autonomia corporal, relações saudáveis e uso
responsável da tecnologia. Dessa forma, será possível promover uma vivência segura
da sexualidade na adolescência, preservando direitos fundamentais e prevenindo
situações de violação de privacidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARROS, Suzana da Conceição de; RIBEIRO, Paula Regina Costa. Entre nudes, vingança
pornográfica e sexting: o que o ensino de biologia tem a ver com essas questões?.
Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 272–289, 2021. DOI:
10.46667/renbio.v14i1.542.
DESLANDES, S. F. et al.. Vazamento de Nudes: da moralização e violência generificada ao
empoderamento. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 10, p. 3959–3968, out. 2022.
PATROCINO, L. B.; BEVILACQUA, P. D.. O que nudes e divulgação não autorizada de
imagens íntimas têm a lembrar à escola? . Educação e Pesquisa, v. 49, p. e259986, 2023.

CARTILHA DIGITAL

13

1. O que significa o termo "sexting" conforme explicado no texto?
2. Quais são os principais motivos que levam os adolescentes a praticarem o
sexting?
3. Como o texto descreve a diferença de consequências do vazamento de
imagens entre meninos e meninas?
4. Por que o texto afirma que as consequências do sexting são diferentes em
cidades pequenas ou comunidades conservadoras?
5. Quais são os três principais tipos de danos causados pelo vazamento de
imagens íntimas mencionados no texto?
6. Como as escolas poderiam contribuir para prevenir os problemas relacionados
ao sexting?
7. O texto menciona que a internet pode ser tanto um problema quanto uma
solução. Explique essa aparente contradição.
8. Qual a relação entre consentimento e privacidade digital conforme apresentado
no texto?
9. O texto sugere que o sexting pode começar como "manifestação de afetividade".
Você concorda que essa possa ser uma justificativa válida para a prática? Por
quê?
10. Como a desigualdade de gênero se manifesta nas consequências do
vazamento de imagens íntimas?
11. Por que o texto considera insuficiente tratar o sexting apenas como uma
questão individual, sem considerar aspectos sociais e culturais?
12. Que medidas concretas uma escola poderia adotar para criar um "sistema de
apoio psicossocial" mencionado no texto?
13. O texto fala em "superar visões moralizantes" no tratamento do tema. Que tipo
de abordagem seria mais adequada na sua opinião?
14. Como a educação digital poderia ser integrada ao currículo escolar para
prevenir problemas como o sexting?
15. O texto menciona a necessidade de "ação conjunta" entre diferentes setores.
Que instituições além da escola você acredita que deveriam estar envolvidas
nesse trabalho e por quê?

CARTILHA DIGITAL

14

1. Oficina de Cartazes "Antes de Enviar, Pense!"
Os alunos, em grupos, criam campanhas de conscientização sobre os riscos do
compartilhamento de imagens íntimas. Eles desenvolvem cartazes com mensagens de alerta,
utilizando estatísticas, direitos digitais e frases de impacto. A atividade inclui uma pesquisa
guiada sobre leis de proteção à privacidade, como o revenge porn, e os materiais produzidos
são expostos em espaços comuns da escola, como corredores e biblioteca.
2. Jogo de Tabuleiro "Caminhos Digitais Seguros"
Os alunos criam um jogo de tabuleiro colaborativo onde os participantes avançam casas ao
responderem perguntas sobre privacidade online, configurações de segurança e como reagir
a pressões para envio de nudes. Cada "armadilha" no jogo representa um risco real (como
mensagens de desconhecidos ou chantagem), e as soluções são discutidas em grupo. O jogo
final pode ser reproduzido e utilizado em outras turmas.
3. Simulação de Configurações de Privacidade em Redes Sociais
Usando telas projetadas ou impressões de interfaces de redes sociais, os alunos aprendem, na
prática, como ajustar configurações de privacidade para proteger suas imagens e dados. Em
duplas, eles simulam situações como: "O que fazer se alguém pedir uma foto íntima?" e "Como
denunciar um perfil fake?". A atividade termina com a criação de um guia rápido em formato
de checklist para ser compartilhado com a escola.
4. Debate Anônimo com Caixa de Perguntas
Em vez de discussões abertas, os alunos escrevem dúvidas e situações hipotéticas sobre
sexting em papéis anônimos, depositados em uma caixa. O professor ou um mediador lê as
perguntas e conduz um debate seguro, sem expor ninguém. Para fechar, os alunos elaboram,
em grupos, pôsteres com "Respostas para Situações Difíceis", baseadas nas discussões.
5. Role-Play de Respostas para Pressão Online
Os alunos recebem cenários escritos (como "Um namorado insiste para você enviar nudes") e,
em grupos, criam respostas assertivas para recusar a pressão. As frases são compiladas em
um "Manual de Frases Poderosas", com alternativas como: "Se gosta mesmo de mim, respeita
meu não." e "Isso é crime, e eu me valorizo." A atividade é 100% teórica, sem encenações que
exponham os alunos.

CARTILHA DIGITAL

15

A análise das questões de gênero na sociedade revela estruturas profundas de organização
social que dialogam diretamente com manifestações extremistas como o neonazismo. As
construções sociais de gênero demonstram como normas culturais estabelecem padrões
de comportamento considerados adequados para homens e mulheres, frequentemente
limitando o pleno desenvolvimento dos indivíduos. Paralelamente, o neonazismo se
fundamenta em princípios de hierarquização social que igualmente restringem a liberdade
individual, porém através da imposição violenta de uma suposta superioridade racial e
cultural.
As dinâmicas de violência de gênero apresentam similaridades estruturais com os
mecanismos de opressão neonazistas. Enquanto a violência baseada em gênero busca
manter determinados grupos em posições subalternas, o neonazismo utiliza métodos
semelhantes para perseguir minorias étnicas, religiosas e sexuais. Ambos os fenômenos
compartilham a característica de desumanizar o diferente, transformando características
identitárias em justificativas para exclusão e agressão.
O ambiente escolar surge como espaço privilegiado para o enfrentamento dessas
questões. A educação para o respeito às diferenças de gênero constitui ferramenta
poderosa contra ideologias extremistas, pois desenvolve nos estudantes a capacidade de
reconhecer e valorizar a diversidade humana. Ao trabalhar conceitos como igualdade de
gênero e direitos humanos, as instituições educacionais criam anticorpos sociais contra
doutrinas que pregam a segregação e o ódio.
A propagação contemporânea do neonazismo entre jovens ocorre frequentemente através
de estratégias que se aproveitam de fragilidades emocionais e carências identitárias. Nesse
contexto, a abordagem educacional que combate estereótipos de gênero e promove a
autoaceitação mostra-se como alternativa eficaz. O desenvolvimento do pensamento
crítico e da empatia funciona como barreira contra a sedução de narrativas simplistas que
culpam minorias por problemas sociais complexos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARTILHA DIGITAL

16

A conexão entre os estudos de gênero e o combate ao extremismo político revela-se na
medida em que ambos exigem o questionamento de hierarquias sociais naturalizadas.
Enquanto o neonazismo busca cristalizar desigualdades através da violência, a perspectiva
de gênero propõe a desconstrução dessas mesmas desigualdades através do diálogo e do
reconhecimento mútuo. Essa oposição fundamental coloca a educação para a igualdade
de gênero como antídoto potencial contra a radicalização política.
As estratégias pedagógicas mais eficazes no enfrentamento desses desafios combinam o
ensino histórico sobre os perigos do extremismo com o desenvolvimento cotidiano de
práticas inclusivas. A criação de ambientes escolares que valorizam a expressão individual
dentro de princípios de respeito coletivo oferece aos jovens alternativas concretas às
promessas vazias de identidade oferecidas pelos movimentos de ódio. Dessa forma, a
escola transforma-se em espaço de resistência ativa contra todas as formas de
discriminação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DE FARIA CARDOZO, J. P.; ALVES DOS SANTOS, J. C.; PEREIRA, N. da S.; RIBEIRO , A. da S. O discurso do ódio e suas influências nas
comunidades escolares: “surpresa zero”?. Revista Científica Foz, [S. l.], v. 7, n. 2, 2024.
Exclusão e desigualdade no mundo globalizado. Eventos Pedagógicos, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 377–385, 2012. DOI:
10.30681/reps.v3i2.9213.
MARTINS, M. E. R.; GESSER, M. Convivência escolar e neofascismo: Apontamentos para prevenir os ataques às escolas. Cadernos
de Pesquisa, São Paulo, v. 55, p. e11359, 2025. DOI: 10.1590/1980531411359.
TERRA, Bibiana; DIOTTO, Nariel; GOULARTE, Roana Funke (Org.). Diálogos de gênero: perspectivas contemporâneas. v. 2. Cruz
Alta: Ilustração, 2021. 23 cm. ISBN 978-85-92890-35-3. DOI: 10.46550/978-85-92890-35-3.
ZANARDI, Érica Adriana Costa; ZANARDI, Teodoro Adriano Costa. EDUCAÇÃO PARA QUÊ? educar para o humanismo solidário
como processo de reconstrução do diálogo e da reconciliação. @rquivo Brasileiro de Educação, Belo Horizonte, v. 10, n. 19, p.
384–403, 2023. DOI: 10.5752/P.2318-7344.2022v10n19p384-403.

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17

Marque X na resposta correta e justifique no espaço abaixo
1. Como as ideias sobre gênero e o neonazismo são parecidas?
( ) Ambas defendem a igualdade para todos.
( ) As duas organizam as pessoas em hierarquias de "superiores" e "inferiores".
( ) Nenhuma das duas influencia a sociedade.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
2. Por que as regras rígidas de gênero e o neonazismo atrapalham o desenvolvimento das
pessoas?
( ) Porque ambos incentivam a liberdade de escolha.
( ) Porque limitam as oportunidades de certos grupos, mesmo que de formas diferentes.
( ) Porque só afetam os adultos, não os jovens.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
3. O que a violência de gênero e o neonazismo têm em comum?
( ) As duas tratam certas pessoas como se fossem menos humanas.
( ) Ambas só existem na internet.
( ) Nenhuma delas causa danos reais.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
4. Por que machismo e neonazismo usam características como gênero ou raça para excluir
pessoas?
( ) Para promover a união entre todos.
( ) Para justificar a superioridade de alguns e a discriminação de outros.
( ) Porque não existem leis contra isso.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
5. Por que a escola é um bom lugar para combater esses problemas?
( ) Porque na escola não existem diferenças entre os alunos.
( ) Porque é um espaço de aprendizado e convivência, onde se pode debater respeito e
igualdade.
( ) Porque só os professores podem resolver essas questões.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

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Marque X na resposta correta e justifique no espaço abaixo
6. Como a educação sobre igualdade de gênero pode ajudar contra ideologias extremistas?
( ) Ensinando que algumas pessoas são melhores que outras.
( ) Mostrando que todos merecem respeito, combatendo preconceitos.
( ) Ignorando o assunto para evitar conflitos.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
7. Por que o neonazismo atrai jovens que se sentem sozinhos ou confusos?
( ) Porque oferece uma falsa sensação de pertencimento e identidade.
( ) Porque todos os jovens concordam com essas ideias.
( ) Porque a escola não fala sobre direitos humanos.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
8. Como o pensamento crítico e a empatia ajudam contra o extremismo?
( ) Fazendo as pessoas acreditarem em tudo o que ouvem.
( ) Incentivando a análise de informações e o respeito ao próximo.
( ) Impedindo qualquer tipo de debate.
Justificativa:
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________________________________________________________________
________________________________________________________________
9. O que faz uma escola ser um espaço de resistência contra o ódio?
( ) Ignorar os conflitos entre os alunos.
( ) Promover discussões sobre direitos humanos e inclusão no dia a dia.
( ) Permitir que apenas alguns grupos se expressem.
Justificativa:
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

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“Espaço de Diálogo e Escuta", onde monitores treinados conduziriam círculos de conversa com
os participantes, incentivando o compartilhamento de vivências relacionadas a discriminação
e preconceito. Neste ambiente acolhedor, os visitantes teriam a oportunidade de registrar suas
reflexões em um grande painel colaborativo ao final de cada roda de conversa, criando um
mosaico de mensagens pela diversidade.
"Oficina de Palavras Transformadoras" ofereceria uma experiência criativa, onde os visitantes
poderiam ressignificar termos pejorativos em estações de trabalho equipadas com materiais
artísticos. Cada participante criaria um cartão com uma palavra ofensiva transformada em
mensagem positiva, que seria depois incorporada a uma grande escultura coletiva em forma
de árvore, simbolizando o crescimento de uma nova linguagem inclusiva.
“Exposição das vozes pela Paz: Construindo um Mundo sem Ódio” busca conscientizar sobre
os impactos do discurso de ódio e valorizar os direitos humanos. Com atividades educativas e
interativas, a iniciativa promove o respeito, a empatia e a convivência democrática. Um dos
destaques é a exposição de painéis temáticos com cartazes, vídeos e depoimentos sobre
preconceitos como racismo, homofobia, xenofobia e intolerância religiosa, com enquetes e
perguntas reflexivas
“Fala Jovem” promoverá rodas de conversa com temas como “Como combater o discurso de
ódio nas redes sociais?”. Estudantes, educadores e convidados debaterão ideias e estratégias
para agir com responsabilidade nas mídias digitais, com dinâmicas participativas e
dramatizações curtas.
Linha do tempo dos Direitos Humanos, destacando os principais marcos históricos nacionais e
internacionais. Os participantes poderão contribuir com post-its, acrescentando eventos
significativos de suas vivências ou de sua percepção histórica, enriquecendo o material de
forma colaborativa.
"Mural das Ações Concretas" convidaria todos os visitantes a registrar compromissos pessoais
no combate ao discurso de ódio. Essas promessas seriam transformadas em um grande painel
visual que permaneceria exposto após o evento, servindo como lembrança e inspiração para a
comunidade escolar. A feira ainda poderia contar com uma mostra de trabalhos estudantis
sobre o tema e performances artísticas programadas em horários específicos, criando um
ambiente dinâmico e interativo que aborda o assunto de forma profunda mas acessível.

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20

Valorização da Diversidade: Em grupos, os alunos pesquisam uma cultura, religião ou
etnia (do Brasil ou de outros países). Depois, montam uma pequena exposição com
cartazes, músicas, imagens e curiosidades.
Objetivo: Valorizar as diferenças e promover o respeito à diversidade.
Mural da Empatia: Os grupos criam cartazes com frases, desenhos ou colagens sobre
respeito, acolhimento, amizade e inclusão. Os murais serão expostos na escola.
Objetivo: Estimular atitudes de respeito e combater o preconceito no ambiente escolar.
Histórias que Tocam: Após leitura de trechos de obras como “O Diário de Anne Frank”,
“O Pequeno Príncipe” ou histórias reais de superação, os grupos criam cenas, histórias
em quadrinhos ou podcasts com base nas mensagens lidas.
Objetivo: Desenvolver empatia e reconhecer o valor das histórias humanas na
construção do respeito.
Linha do Tempo dos Direitos Humanos: Cada grupo pesquisa um período da história e
monta uma parte da linha do tempo com eventos importantes na luta pelos direitos
humanos (como direito à educação, igualdade de gênero, etc.).
Objetivo: Compreender a importância da memória histórica na construção da
cidadania.

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21

A violência contra crianças e adolescentes configura-se como um problema social
grave que frequentemente ocorre no ambiente doméstico, espaço que deveria oferecer
proteção e desenvolvimento saudável. As manifestações dessa violência apresentamse de diversas formas, desde agressões físicas até abusos psicológicos e negligência,
gerando consequências que podem se estender por toda a vida do indivíduo. O estudo
dessas diferentes expressões de violência e seus efeitos mostra-se fundamental para a
implementação de políticas públicas eficazes de proteção à infância e adolescência.
As agressões físicas, muitas vezes erroneamente justificadas como métodos
educativos, compreendem desde tapas até formas mais graves de lesão corporal.
Pesquisas indicam que tais violências, além dos danos físicos imediatos, podem
desencadear problemas emocionais e comportamentais a longo prazo. Paralelamente,
a violência psicológica, caracterizada por humilhações, ameaças e rejeição,
apresenta-se como fator de risco para o desenvolvimento de transtornos como
ansiedade e depressão, com impacto significativo na formação da autoestima e nas
relações interpessoais.
A violência sexual destaca-se como uma das formas mais graves de violação dos
direitos infantojuvenis. Estudos demonstram que as vítimas frequentemente
desenvolvem quadros de estresse pós-traumático, além de enfrentarem dificuldades
em diversas áreas do desenvolvimento. A negligência, por sua vez, manifesta-se pela
privação de cuidados básicos, resultando em prejuízos ao desenvolvimento físico,
cognitivo e emocional, com reflexos diretos no processo de aprendizagem e
socialização.

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22

As consequências da exposição à violência na infância e adolescência revelam-se
particularmente preocupantes no âmbito educacional. Dados de pesquisas apontam
para a relação direta entre ambientes violentos e dificuldades de aprendizagem,
problemas de comportamento e evasão escolar. Evidências científicas sugerem ainda
que o estresse crônico decorrente da violência pode provocar alterações
neurobiológicas, afetando funções cognitivas essenciais e aumentando a
vulnerabilidade a problemas de saúde na vida adulta.
As instituições educacionais emergem como atores-chave no enfrentamento dessa
problemática. A capacidade de observação cotidiana dos profissionais da educação
permite a identificação precoce de situações de risco. A literatura especializada
ressalta a importância da escola na construção de estratégias preventivas, por meio
da promoção de ambientes acolhedores e da educação em direitos humanos. A
articulação intersetorial com órgãos de proteção mostra-se igualmente fundamental
para a garantia de atendimento integral às vítimas.
O combate eficaz à violência contra crianças e adolescentes demanda uma
abordagem multissetorial. A existência de canais de denúncia acessíveis, como o
Disque 100, constitui medida necessária, porém insuficiente sem a implementação de
políticas públicas abrangentes. A capacitação continuada de profissionais que atuam
com essa população e o investimento em programas de educação parental
configuram-se como estratégias promissoras para a prevenção.
A proteção integral de crianças e adolescentes contra todas as formas de violência
representa um desafio complexo que exige o engajamento de toda a sociedade. A
produção de conhecimento científico sobre o tema, aliada à implementação de
políticas baseadas em evidências, apresenta-se como caminho fundamental para a
construção de uma cultura de paz e respeito aos direitos humanos. A continuidade de
pesquisas que avaliem a eficácia das intervenções existentes mostra-se igualmente
relevante para o aprimoramento das ações de proteção.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NETO, João Jorge; MILÉO, Irlanda do Socorro de Oliveira. Violência doméstica e o currículo da escola básica.
Revista FIM de Tarde, v. 29, n. 141, p. [número de páginas], dez. 2024. Disponível em:
https://revistaft.com.br/violencia-domestica-e-curriculo-da-escola-basica/. Acesso em: 13 maio 2025. DOI:
10.69849/revistaft/th1024120915131.
SANGUINO, Shirley. How domestic violence impacts children's learning. CDV – Childhood Domestic Violence, 18
ago. 2023. Disponível em: https://cdv.org/2023/08/how-domestic-violence-impacts-childrens-learning/. Acesso
em: 13 maio 2025.
SANTOS, J. L. D. de M.; JUNES, R. H.; DE SOUZA, L. P. B.; VIEIRA, M. A.; DE SOUZA, E. J. S.; COSTA, A. C. P. O impacto da
violência no processo de desenvolvimento de crianças e adolescentes. CONTRIBUCIONES A LAS CIENCIAS
SOCIALES, [S. l.], v. 17, n. 3, p. e5571, 2024. DOI: 10.55905/revconv.17n.3-010.

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Onde a violência contra crianças adolescentes
acontece com mais frequência?
a) Na rua
b) Na escola
c) Dentro de casa
d) No parque
Qual desses NÃO é um tipo de violência contra
crianças e adolescentes?
a) Bater ou agredir fisicamente
b) Xingar, humilhar ou ameaçar
c) Levar para passear no shopping
d) Deixar sem comida, roupa limpa ou cuidados
médicos
Qual pode ser uma consequência de apanhar
muito (violência física)?
a) Ficar mais obediente sem nenhum problema
b) Ter medo, ansiedade ou agir de forma
agressiva no futuro
c) Melhorar o desempenho na escola
d) Nenhuma das alternativas
O que a violência psicológica (como xingar ou
rejeitar) pode causar?
a) Deixar a criança mais corajosa
b) Ficar com baixa autoestima, tristeza ou
depressão
c) Ajudar a fazer mais amigos
d) Melhorar as notas na escola
Qual é uma das piores consequências do
abuso sexual na infância?
a) Ter pesadelos, medo constante e
dificuldades para confiar nas pessoas
b) Aprender a se defender sozinho
c) Ficar mais inteligente
d) Nenhuma das alternativas
O que acontece quando uma criança é
negligenciada (sem comida, higiene ou
cuidados)?
a) Pode ter saúde fraca, dificuldade na escola e
se sentir abandonada
b) Fica mais independente e forte
c) Aprende a cozinhar sozinha
d) Nenhuma das alternativas
Qual número telefônico pode ser usado para
denunciar violência contra crianças?
a) Disque 100
b) 190 (Polícia)
c) 192 (SAMU)
d) 911

23

Como a violência em casa pode afetar os
estudos?
a) A criança pode ter dificuldade para se
concentrar, faltar muito ou abandonar a escola
b) Melhora o rendimento para "escapar" dos
problemas
c) Não interfere em nada
d) Faz a criança estudar mais
Por que o estresse constante (como medo de
violência) atrapalha o cérebro?
a) Pode dificultar a aprendizagem, a memória e
o controle das emoções
b) Deixa a pessoa mais inteligente
c) Não tem nenhum efeito
d) Ajuda a dormir melhor
Quem pode ajudar a identificar sinais de
violência contra crianças e adolescentes?
a) Professores e funcionários da escola
b) Apenas médicos
c) Só a polícia
d) Nenhum dos acima
Qual é o papel da escola no combate à
violência?
a) Oferecer um ambiente seguro e ensinar
sobre direitos das crianças
b) Ignorar os problemas familiares
c) Punir os alunos que falarem sobre violência
d) Nenhuma das alternativas
Além de denunciar, o que mais é importante
para proteger crianças e adolescentes?
a) Ter políticas públicas, campanhas de
conscientização e ajuda profissional
b) Apenas castigar os agressores
c) Deixar que a família resolva sozinha
d) Nenhuma das alternativas
O que pode ajudar a prevenir a violência
contra crianças?
a) Programas que ensinam pais a educar sem
violência
b) Deixar as crianças sozinhas em casa
c) Ignorar os conflitos familiares
d) Nenhuma das alternativas

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24

Teatro de Conscientização: os alunos podem criar e encenar peças teatrais que
retratem situações de violência no cotidiano, abordando desde agressões físicas até
bullying e violência psicológica. A encenação deve ser seguida por um debate
mediado por professores ou especialistas, onde o público discute os comportamentos
apresentados, as consequências da violência e possíveis formas de intervenção. Essa
atividade estimula a empatia e o pensamento crítico, permitindo que os participantes
reflitam sobre suas próprias ações e o impacto delas nos outros.
Campanha de Cartazes e Murais Interativos: os alunos podem desenvolver uma
campanha visual com cartazes, murais e painéis interativos espalhados pela escola,
contendo mensagens de conscientização sobre violência, direitos das crianças e
adolescentes, e canais de denúncia. Os murais podem incluir espaços para que outros
estudantes deixem depoimentos ou sugestões de como tornar o ambiente escolar
mais seguro e acolhedor. Essa iniciativa promove a participação coletiva e mantém o
tema em evidência.
Produção de Podcasts ou Vídeos Educativos: em grupos, os alunos podem criar
podcasts ou vídeos curtos discutindo tipos de violência, mitos e verdades sobre o
assunto, e dicas de como buscar ajuda. O material pode ser compartilhado nas redes
sociais da escola ou em reuniões com pais, ampliando o alcance da mensagem. Essa
atividade desenvolve habilidades de pesquisa e comunicação, além de permitir que os
jovens se expressem em formatos que dominam e consomem no dia a dia.
Gincana de Boas Práticas: uma competição saudável entre turmas pode ser
organizada, com tarefas que incentivem ações positivas, como identificar e elogiar
atitudes de respeito, criar frases de combate ao bullying ou propor iniciativas que
melhorem o clima escolar. A equipe que acumular mais pontos por boas práticas
ganha um reconhecimento simbólico. A gincana transforma a prevenção da violência
em uma ação lúdica e participativa.
Parceria com a Comunidade: Feira de Conscientização
Os alunos organizam uma feira aberta à comunidade, com stands que abordam
diferentes temas relacionados à violência. Convidados de órgãos de proteção podem
participar, oferecendo informações sobre direitos e serviços de apoio. A atividade
fortalece o vínculo entre escola e comunidade, mostrando que a prevenção da
violência é uma responsabilidade compartilhada.

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ATENÇÃO
O tráfico de seres humanos é a segunda atividade criminosa mais lucrativa do mundo,
envolvendo recrutamento, transporte, alojamento e exploração de pessoas por meio de
força, fraude ou engano. As vítimas são controladas por abuso físico e sexual, chantagem
emocional, retenção de documentos e falsas promessas, sendo exploradas tanto no país de
origem quanto durante a migração ou no exterior.
Esse crime representa uma das mais graves violações dos direitos humanos,
comprometendo a liberdade e dignidade das vítimas. Embora haja esforços internacionais
para combatê-lo, muitas ações ainda priorizam a repressão da migração irregular,
negligenciando a proteção dos indivíduos explorados. O avanço das tecnologias digitais
tem agravado o problema, facilitando o recrutamento, controle e exploração das vítimas, ao
mesmo tempo em que dificulta a atuação das autoridades.
O tráfico sexual, uma das formas mais comuns, causa sérios danos à saúde mental das
vítimas, que apresentam níveis elevados de transtornos psicológicos. Fatores como pobreza,
conflitos, crises climáticas e deslocamento forçado aumentam a vulnerabilidade de milhões
de pessoas. Indivíduos marginalizados, com pouco acesso à educação, saúde e emprego,
são alvos preferenciais dos traficantes.
Homens, mulheres e crianças são explorados em setores como prostituição,
entretenimento, trabalho doméstico, casamentos forçados, fábricas e agricultura,
geralmente sob ameaças, sem remuneração e em condições degradantes. Algumas
vítimas são forçadas a doar órgãos ou cometer crimes. Crianças traficadas frequentemente
já foram vítimas de violência antes do aliciamento, o que agrava seu sofrimento físico e
psicológico.
Estima-se que mais de 25 milhões de pessoas sejam vítimas de tráfico humano no mundo,
mas apenas uma fração dos casos resulta em condenações. Em muitos casos, os próprios
familiares participam da exploração. Apesar de não ser um fenômeno novo, o tráfico
cresceu significativamente na última década devido ao uso de tecnologias digitais e
ambientes virtuais.
Plataformas online, redes sociais e aplicativos de namoro são utilizados para recrutar
vítimas e obter dados pessoais. Criminosos usam a dark web e criptomoedas para ocultar
suas atividades e movimentar recursos. Sites falsos, anúncios enganosos e chats ao vivo
são estratégias comuns para atrair e manipular vítimas, que muitas vezes são exploradas
em transmissões ao vivo.
A dimensão global do crime, combinada ao uso abusivo da tecnologia, exige cooperação
internacional e capacitação digital das autoridades. A pandemia de COVID-19 intensificou o
problema, com o aumento do uso da internet e o crescimento da circulação de material de
exploração sexual infantil.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACIÉN GONZÁLEZ, E. Nigerian migrant women and human trafficking narratives: stereotypes, stigma and ethnographic
knowledge. Social Sciences, v. 13, n. 4, p. 207, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3390/socsci13040207. Acesso em: 31 maio
2024.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ). Tráfico de pessoas. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-eacoes/trabalho-escravo-e-trafico-de-pessoas/trafico-depessoas/. Acesso em: 28 maio 2024.
DE LA MORA TOSTADO, S.; HERNÁNDEZ-VARGAS, E. A.; NÚÑEZ-LÓPEZ, M. Modeling human trafficking and the limits of dismantling
strategies. Social Network Analysis and Mining, v. 14, p. 84, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s13278-024-01208-x.
Acesso em: 31 maio 2024.

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26

Não sei. Fale, por favor!
Você sabe quem pode ser aliciador?
Os aliciadores, que podem ser tanto homens quanto mulheres, frequentemente fazem
parte do círculo social ou familiar das vítimas. Eles mantêm laços afetivos ou se apresentam
como profissionais respeitáveis, como engenheiros, empresários, donos de casas de shows,
bares, ou representantes de falsas agências de encontros, casamentos e moda. Costumam
ser pessoas com bom nível de escolaridade, altamente persuasivas e sedutoras.
REFERÊNCIAS
O engano é um dos principais
métodosBIBLIOGRÁFICAS
utilizados pelos traficantes para atrair vítimas à
exploração. Esse artifício pode ser dirigido tanto à vítima quanto aos seus familiares,
especialmente em casos que envolvem menores de idade. Em algumas situações, a própria
família pode, conscientemente ou não, participar desse processo de ilusão.
Ofertas de emprego são comumente utilizadas como iscas, prometendo melhores
condições de vida e um futuro promissor. No tráfico para fins de trabalho análogo ao
escravo, os aliciadores oferecem vagas em setores como agricultura, pecuária, construção
civil e oficinas de costura. Há registros de imigrantes estrangeiros sendo aliciados para
trabalhar em confecções em condições degradantes, especialmente em grandes centros
urbanos.
ERYARSOY, E.; TOPUZ, K.; DEMIROGLU, C. Disentangling human trafficking types and the identification of pathways to forced labor
and sex: an explainable analytics approach. Annals of Operations Research, v. 335, p. 761–795, 2024. Disponível em:
https://doi.org/10.1007/s10479-023-05520-1. Acesso em: 31 maio 2024.
ESCRITÓRIO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DROGAS E CRIME. Questões probatórias em casos de tráfico de pessoas: compilação de
casos. Viena: Nações Unidas, 2017.
FUENTES CANO, A. M. Borders and rights: human smuggling vs. human trafficking. In: BORGES, G.; GUERREIRO, A.; PINA, M. (Org.).
Modern insights and strategies in victimology. Hershey: IGI Global, 2024. p. 93–117.
L’HOIRY, X.; MORETTI, A.; ANTONOPOULOS, G. A. Human trafficking, sexual exploitation and digital technologies. Trends in Organized
Crime, v. 27, p. 1–9, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s12117-024-09526-4. Acesso em: 31 maio 2024.
MARTINHO, G.; MATOS, M.; GONÇALVES, M. Professionals’ knowledge and perceptions on child trafficking: evidence from Portugal.
European Journal on Criminal Policy and Research, v. 30, p. 39–61, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10610-02209522-w. Acesso em: 31 maio 2024.
PASCALE, R. I. et al. Trafficking trauma: a review on the psychological effects of human trafficking. Mental Health and Social
Inclusion, v. 28, n. 2, p. 144–161, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1108/MHSI-03-2023-0026. Acesso em: 31 maio 2024.
UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME (UNODC). Protocol to prevent, suppress and punish trafficking in persons,
especially women and children, supplementing the United Nations Convention against Transnational Organized Crime. 2004.
Disponível em: https://www.unodc.org/documents/treaties/UNTOC/Publications/TOC%20Convention/TOCebook-e.pdf. Acesso
em: 31 maio 2024.
UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME (UNODC). Tráfico de pessoas abusa da tecnologia online para fazer mais vítimas.
2021. Disponível em: https://www.unodc.org/lpobrazil/pt/frontpage/2021/11/trafico-de-pessoas-abusa-da-tecnologia-onlinepara-fazermais-vitimas.html. Acesso em: 28 maio 2024.

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27

EXEMPLO: TRÁFICO POR MEIO DE RELACIONAMENTO PARTE 1
Go s
ta
in g r ia d e
lês
com treina
ig o r
?

Claro!
Adoraria!

Não é golpe,
ele comprou a
passagem de
volta também...

Eu
vo j á c
c
o
Co ê po mpr
m de ei
i d a d a t vi r . ,
e v a de ..
o lt
a..
.

Sério?!
Eu também te amo!
Que sorte a minha!

ok, estou me
organizando
pra ir...

O i,
eu
( Es
am
s
ví t a é ca o vo
im
cê!
r
a f ent
áci e,
l...)

qu
ca a n d
nc o e
elo la
d e a p ch e
vo ass gar
lta ag ,
... em

Um dia irei,
a passagem é
muito cara!

a gente vai casar

Passagem
Ida e volta.

Como você acha que essa história pode terminar?
Vamos descobrir juntos na próxima página...

Você precisa
vir conhecer
o meu país

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28

EXEMPLO: TRÁFICO POR MEIO DE RELACIONAMENTO - PARTE 2
CHEGUEI!

Estou tão...
animada!

o e
eç qu
n h n s a ra
o
e
o c m u p ...
N ã s h o n d o ca r
e a us
s
es le m e b
e m

achei que ele
ia vir me esperar
no aeroporto...

Eles tomaram
meu celular e meu
passaporte, estou
com medo!!

Tudo bem,
ele é tão ocupado
no trabalho...

E agora?
Não tenho como
sair daqui sem
passaporte ...

Nã
celu o tenh
ped lar pa o
ir a
ju d a r a
...

A violência em casos de tráfico de pessoas pode ser usada para forçar as vítimas a se
submeterem ou permanecerem na situação de exploração, criar um clima de medo ao
direcionar a violência contra colegas ou como forma de castigo. Exemplos incluem
espancamentos, forçar a ingestão de alimentos prejudiciais, choques elétricos, facadas,
estrangulamento, queimaduras, agressões sexuais e estupros.
Além da violência física, ameaças são comuns, abrangendo desde ameaças de morte e
violência física contra a vítima ou sua família, até deportação, prisão por autoridades de
imigração, prejuízo financeiro e maldições religiosas ou feitiços. Essas ameaças podem ser
realistas ou não, diretas ou indiretas, sutis ou explícitas, feitas pelo perpetrador ou terceiros, e
dirigidas contra a vítima ou seus entes queridos, criando um ambiente de medo e submissão
(ESCRITÓRIO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DROGAS E CRIME, 2017).

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29

EXEMPLO: TRÁFICO POR MEIO DE PROPOSTA DE TRABALHO

Cara, quanto tempo!
Acabei de voltar de outro
país, muito boa a vida lá
...
Como você está?

Nossa, que legal!!
Eu estou bem,
trabalhando bastante,
estou feliz...

Mas você fica satisfeito
com um salário mínimo?
Eu ganho 10 vezes mais
trabalhando poucas
horas por dia...

Que legal, eu
nunca
tinha pensado
nisso...

Mas não sei falar
outra língua tão bem
nem tenho dinheiro
pra viajar....

Eu te ajudo, empresto
o dinheiro, quando
estiver trabalhando,
você me paga, consigo
trabalho e passagem...

Muito obrigado!
Eu vou pensar sobre,
posso até juntar um
bom dinheiro e voltar
pra cá depois...

Com base no quadrinho anterior, como você acha que
essa história pode terminar?

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30

De acordo com UNODC (2024), as finalidades do tráfico de pessoas são
diversas, como podem ser observadas abaixo:

Exploração sexual

Trabalho forçado Servidão por dívida Servidão doméstica

Remoção de órgãos Mendicância forçada Crianças-soldado Casamento forçado

É assim que a história pode terminar.

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ENCONTRE AS PALAVRAS DO CAÇA-PALAVRAS:

KMHSECSAVITIMASWHI
G U N D R O E X P L O R A ÇAOG
FGDLOLRESGATEEERRF
FDS A N O O J U S T I Ç A U R G T
FDIILBABUSOASRVAKN
SÃOOVULNERAVELOUL
GDAÇEOVIAGEMRTSCFR
K D N M A I C R I M E N O I TG R D
EAFDENUNCIARAOLRB
STRÁFICOHUMANOIUG
PDNILIBERDADEMOITK
LGRINVESTIGAÇÃOUTB
CAOPROTEÇÃODISFRDF
EROESCRAVIDÃONGFC
MYGOLPEURCUÍMDFDC
ROEENGANOADCIETHF

VITIMAS, EXPLORAÇÃO, RESGATE, JUSTIÇA, ABUSO,
CRIME, DENUNCIAR, TRÁFICO HUMANO, LIBERDADE,
INVESTIGAÇÃO, PROTEÇÃO, ESCRAVIDÃO, GOLPE,
ENGANO.

31

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32

Realizar uma pesquisa e responder as perguntas abaixo:
1. O que é tráfico humano?
________________________________________________________________
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2. Quais são algumas formas de exploração associadas ao tráfico humano?
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3. Quem são as principais vítimas do tráfico humano?
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4. Quais são os métodos comuns usados pelos traficantes para atrair suas vítimas?
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5. Quais são as consequências físicas, emocionais e psicológicas para as vítimas do tráfico
humano?
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6. Como o tráfico humano contribui para o fortalecimento de redes criminosas?
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7. Por que as vítimas de tráfico humano são frequentemente marginalizadas e vulneráveis?
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8. Qual é o papel das autoridades na prevenção e combate ao tráfico humano?
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9. Quais são os desafios enfrentados na identificação e resgate das vítimas de tráfico
humano?
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10. Quais são algumas medidas que podem ser tomadas para combater eficazmente o
tráfico humano?
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ECOS DO SILÊNCIO
O tráfico humano é ferida oculta,
Chaga que sangra nas sombras da nação.
Vítimas levadas, silenciadas pelo medo,
Escondidas, longe do coração.
Indiferença e desconhecimento,
Alimentam essa escuridão.
Desumanizam quem sofre,
Sem voz, sem chão.
Entrelaçado com ilícitos,
Rede criminosa a enredar.
Corrupção, falta de recurso,
Perpetuam o ciclo de explorar.
Na era digital, a internet arma se faz,
Amplifica o alcance do mal.
Traficantes se aproveitam,
Da solidão virtual.
Para trazer à luz essa dor,
Ação conjunta é essencial.
Conscientização e educação,
Para abrir o olhar global.
Políticas públicas e ensino,
Faróis na escuridão a brilhar.
Mobilizar a sociedade,
É enfrentar a tragédia a se lutar.
Compromisso internacional,
Fortalecer a legislação.
Apoio integral às vítimas,
Para que possam novamente sonhar.
Desfazer as sombras,
E ver a dignidade florescer.
Onde a justiça tem de vencer,
Em cada canto, em todo viver.
Este poema é fruto das pesquisas e leituras
realizadas para a construção desta cartilha.

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34

"Oferta ou Armadilha?", cartazes construídos exibem anúncios reais de empregos,
cursos no exterior e oportunidades de modelagem que podem esconder esquemas
de aliciamento. Visitantes tentarão identificar detalhes suspeitos, como exigência de
documentos pessoais antecipados ou promessas de ganhos exorbitantes, enquanto
monitores destacam como 58% das vítimas brasileiras são recrutadas por falsas
agências de emprego, segundo dados do Ministério Público do Trabalho.
"Caminhos da Exploração", um mapa georreferenciado em realidade aumentada
revela as rotas do tráfico humano no Brasil e em outros países. Sensores de
movimento ativam depoimentos de sobreviventes quando os visitantes se
aproximam de pontos críticos, como fronteiras ou rodoviárias, locais onde 34% dos
casos ocorrem conforme levantamento da Polícia Federal.
"Identidade Apagada" os estudantes irão criar frases de impacto que mostrem como
a identidade de uma vítima de tráfico humano é apagada. "Ocorre a perda de seus
documentos em 92% dos casos".
"Sinal de Alerta" apresenta um quiz interativo com situações reais adaptadas para o
público jovem: "Seu novo 'amigo' online oferece: a) Presentes caros b) Ajuda com
tarefas escolares c) Encontro secreto", aplicativos de jogos com bate-papo,
aplicativos de idioma, etc.
"Posto de Denúncia Virtual" criar um cartaz ensinando a pedir ajuda utilizando o
Disque 100 além de aprender a identificar sinais de aliciamento para observar em
amigos.

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OBJETIVOS DA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
Esta proposta tem como finalidade
principal promover a conscientização crítica
entre estudantes do 6º ao 9º ano sobre
diversas
formas
de
violência
contemporânea, articulando conhecimento
teórico com estratégias de prevenção
aplicáveis ao contexto escolar.
No âmbito do cyberbullying, objetiva-se
desenvolver nos discentes a compreensão
dos impactos psicossociais decorrentes de
agressões digitais, bem como fomentar
práticas de cidadania digital responsável,
com ênfase na construção de relações
éticas no ambiente virtual.
No que tange aos desafios e jogos
perigosos,
busca-se
capacitar
os
educandos
para
o
exercício
do
discernimento crítico frente a conteúdos
midiáticos, desconstruindo a naturalização
de comportamentos de risco e propondo
alternativas que associem interação virtual
ao desenvolvimento saudável.
Quanto à questão do envio de materiais
íntimos (nudes), a intervenção almeja
elucidar
as
implicações
jurídicas
e
psicossociais dessa prática, com enfoque
nos
conceitos
de
privacidade,
consentimento e proteção de dados,
visando à formação de usuários conscientes
dos mecanismos de manipulação e coerção
no espaço digital.
No eixo temático convivência e respeito,
pretende-se instituir processos pedagógicos
que problematizem as estruturas de
discriminação
e
violência
simbólica,
promovendo a construção coletiva de
espaços educacionais inclusivos por meio
do diálogo intercultural e da mediação não
violenta de conflitos.

Acerca da violência intrafamiliar e seus
reflexos no ambiente escolar, a proposta
visa instrumentalizar os discentes para a
identificação
de
situações
de
vulnerabilidade, articulando conhecimentos
sobre redes de proteção social e canais
institucionais de denúncia, sem incorrer em
exposição indevida das vítimas.
Por fim, no tocante ao tráfico de pessoas,
objetiva-se desvelar as estratégias de
aliciamento
empregadas
por
redes
criminosas, com análise crítica dos fatores
socioeconômicos envolvidos, ao mesmo
tempo em que se fortalece nos educandos a
capacidade
de
reconhecimento
de
situações de risco e acesso a mecanismos
de proteção estatal.
Desse modo, a presente intervenção
pedagógica transcende a mera transmissão
informativa, propondo-se como instrumento
de transformação sociocultural que articula
prevenção
à
violência,
exercício
da
cidadania e empoderamento juvenil, em
consonância
com
as
diretrizes
contemporâneas da educação para os
direitos humanos.

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36

CONTEXTO
A dissertação que fundamenta este trabalho
investigou os padrões de violência letal em
Maceió, evidenciando a concentração de
homicídios em determinadas regiões da
capital
alagoana,
com
ênfase
nas
disparidades intraurbanas que demandam
políticas
públicas
territorialmente
diferenciadas. Importa destacar que a opção
metodológica por utilizar os homicídios como
indicador
principal
decorre
de
sua
mensurabilidade estatística, ainda que se
reconheça que a violência apresenta
múltiplas manifestações - desde as formas
estruturais
e
simbólicas
até
as
contemporâneas
expressões
digitais
e
relacionais.
Essa
compreensão
multidimensional orientou justamente a
concepção do Produto Técnico-Tecnológico
(PTT) aqui apresentado.
O PTT consiste em uma cartilha pedagógica
de prevenção à violência, inicialmente
implementada como projeto piloto em uma
escola municipal de Pariconha, município do
interior alagoano. Essa escolha estratégica de
aplicação em contexto distinto do locus da
pesquisa
tanto
geográfica
quanto
socioeconomicamente - foi intencional e
metodologicamente justificada. Buscou-se
demonstrar a capacidade de adaptação do
material a realidades educacionais diversas,
comprovando
que
as
estratégias
de
prevenção primária à violência devem ser
pensadas para além dos grandes centros
urbanos.
A violência nas suas diversas expressões cyberbullying, desafios virtuais de risco,
exposição não consentida de imagens
íntimas, discriminações estruturais, violência
intrafamiliar e aliciamento criminoso constitui fenômeno universal que transcende
as particularidades locais da criminalidade
letal. Por essa razão, o PTT foi concebido como
instrumento modular e adaptável, cuja
eficácia independe do nível de violência letal
registrado na região. A aplicação em
Pariconha serviu precisamente para validar
essa
premissa,
permitindo
ajustes
metodológicos que reforçaram a versatilidade
do material.
Na implementação piloto, capacitou-se a
equipe
pedagógica
(coordenadores
e
professores) para trabalhar os eixos temáticos
da cartilha, que abrangem desde a
conscientização sobre riscos digitais até a
identificação de violências domésticas e
estratégias de mediação de conflitos.

Essa abordagem preventiva alinha-se
diretamente com as conclusões da pesquisa,
que destacaram a necessidade de articular
políticas
de
segurança
com
ações
socioeducativas,
superando
a
visão
reducionista que privilegia exclusivamente
medidas repressivas.
Cumpre ressaltar que o PTT materializa o
princípio da intersetorialidade das políticas
públicas, tão enfatizado na análise da realidade
maceioense. No ambiente escolar, essa
intersetorialidade se concretiza na integração
entre educadores, profissionais de saúde
mental, assistentes sociais e órgãos de
proteção,
constituindo
redes
locais
de
enfrentamento à violência. A cartilha, nesse
sentido, transcende a mera transmissão de
informações,
transformando-se
em
instrumento de capacitação continuada para a
comunidade escolar.
Portanto, longe de representar dissonância
com a pesquisa original, a aplicação do PTT em
Pariconha
valida
seu
potencial
como
tecnologia social replicável. Demonstra que as
evidências científicas produzidas em contextos
urbanos específicos podem - e devem - ser
traduzidas em ferramentas de intervenção
adaptáveis
a
diversos
territórios.
Essa
transferibilidade metodológica corrobora o
papel social da pesquisa acadêmica em
políticas públicas, que deve ultrapassar os
limites do diagnóstico para ofertar soluções
práticas e escaláveis.
Assim, o PTT consolida-se como contribuição
acadêmico-social relevante: por um lado,
sistematiza conhecimentos científicos sobre
prevenção à violência; por outro, oferece às
comunidades
escolares
um
instrumento
pedagógico testado e adaptável, capaz de
promover cultura de paz e enfrentamento
precoce às múltiplas formas de violência
contemporânea,
independentemente
das
particularidades
locais
da
criminalidade
violenta.

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37

PÚBLICO-ALVO
O produto em questão tem como público-alvo estudantes do segundo ciclo do
Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), com idades entre 11 e 15 anos. Esse período é
marcado por transformações biopsicossociais, caracterizando a transição da préadolescência para a adolescência. Do ponto de vista cognitivo e socioemocional, essa
fase é crucial, pois os indivíduos começam a demonstrar maior capacidade de
abstração e raciocínio hipotético-dedutivo, ainda que com limitações. Paralelamente,
observa-se um processo de autonomização em relação à família e uma crescente
valorização das interações entre pares, o que amplia sua exposição a situações sociais
complexas, tanto presenciais quanto digitais.
A escolha desse segmento justifica-se por três aspectos: (1) o desenvolvimento
cognitivo já permite a compreensão de conceitos básicos sobre violência e estratégias
de prevenção; (2) há maior inserção em contextos sociais diversificados, incluindo
ambientes digitais, onde os riscos de exposição a situações violentas aumentam; e (3)
emerge a capacidade de reflexão crítica sobre normas sociais e valores éticos,
essencial para uma postura responsável no uso de tecnologias.
Pedagogicamente, o 6º ano representa um marco na trajetória escolar, exigindo
maior autonomia dos discentes. O produto foi desenvolvido considerando as
particularidades de cada etapa, com abordagens diferenciadas por ano. Para os
estudantes do 6º e 7º anos, priorizam-se situações concretas e o desenvolvimento de
habilidades básicas de identificação de riscos, enquanto, para os do 8º e 9º anos,
adota-se uma abordagem mais complexa, envolvendo análise de situações abstratas
e discussão sobre consequências de ações no ambiente digital.
A intervenção está alinhada com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), que preconiza o desenvolvimento progressivo de competências
socioemocionais e digitais. A BNCC explicita a necessidade de abordar criticamente as
relações entre tecnologia, violência e formação cidadã, especialmente em Língua
Portuguesa, que trata da educação midiática. A Competência Geral 4, por exemplo,
enfatiza o uso ético e reflexivo das mídias digitais, incluindo a prevenção de
cyberbullying, exposição indevida e discursos de ódio. Já a Competência Geral 8
aborda o autoconhecimento e o autocuidado, fundamentais para relações saudáveis
e empáticas no ambiente virtual.
Além disso, a Unidade Temática "Vida Coletiva" prevê a análise de conflitos e
violações de direitos humanos em diferentes contextos, inclusive digitais, enquanto o
componente tecnológico destaca a importância de ensinar sobre privacidade,
segurança na rede e consequências legais de práticas violentas online. Assim, a
proposta pedagógica não apenas atende às expectativas de aprendizagem para
cada etapa do Ensino Fundamental, mas também fortalece o projeto políticopedagógico das instituições, contribuindo para a formação de cidadãos críticos e
responsáveis no uso das tecnologias.

DADOS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília: MEC, 2018. Disponível em:
https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 13 de maio de 2025.

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DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA
A violência contemporânea configura-se como fenômeno multidimensional que
permeia distintos âmbitos da vida adolescente, demandando abordagens educacionais
sistêmicas e integradoras. No contexto brasileiro atual, estudantes do 6º ao 9º ano do
Ensino Fundamental enfrentam um complexo entrelaçamento de manifestações violentas
que transcendem os limites físicos da instituição escolar, manifestando-se tanto no
espaço concreto quanto no ambiente digital.
O ciberespaço, cada vez mais constitutivo da experiência juvenil, transformou-se em
palco privilegiado para novas modalidades de violência, tais como o cyberbullying,
desafios virtuais de risco e a divulgação não consentida de materiais íntimos. Tais
fenômenos apresentam intrincadas conexões com formas tradicionais de violência
estrutural, incluindo discriminações diversas, violência intrafamiliar e até mesmo
dinâmicas de aliciamento para o tráfico de pessoas.
Dados empíricos revelam um cenário particularmente alarmante: aproximadamente
40% dos adolescentes brasileiros já vivenciaram alguma forma de vitimização digital,
enquanto cerca de 30% demonstram desconhecimento sobre as implicações jurídicas do
compartilhamento não autorizado de conteúdos íntimos. No âmbito escolar, a violência
relacional e simbólica materializa-se por meio de práticas discriminatórias que impactam
significativamente o desenvolvimento psicossocial dos educandos. Paralelamente, a
violência intrafamiliar - frequentemente invisibilizada - projeta seus efeitos no ambiente
educacional, comprometendo o desempenho acadêmico e as relações interpessoais dos
discentes.
O tráfico de pessoas emerge como problemática particularmente grave, atingindo
desproporcionalmente adolescentes em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. As
estratégias contemporâneas de aliciamento empregadas por redes criminosas
sofisticaram-se, capitalizando tanto as fragilidades estruturais quanto a intensa imersão
digital característica deste grupo etário. A gravidade do quadro intensifica-se diante da
crônica subnotificação de casos e da insuficiência de informações acessíveis sobre os
mecanismos institucionais de proteção disponíveis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRAMOVAY, M. et al. Discurso de ódio e violência online contra adolescentes. UNICEF, 2022.
ASSIS, S. G. et al. Violência familiar e violência entre pares de adolescentes no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva,
2021.
IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2021.
LEAL, M. L. P. Tráfico de pessoas para fins de exploração sexual no Brasil. São Paulo: Cortez, 2018.
LIMA, R. S.; BRITO, L. M. T. Violência digital e gênero: a exposição não consentida na internet. Revista Estudos
Feministas, 2020.
MINAYO, M. C. S. Violência e Saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2009.
MINAYO, M. C. S.; SOUZA, E. R. Violência escolar na perspectiva de diferentes atores. Cadernos de Pesquisa, 2021.
SAFERNET BRASIL. Relatório Anual 2022: violência contra crianças e adolescentes na internet. São Paulo, 2023.

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Discente: Bianca Lima Silva, mestranda
Orientador: Luciana Santos Costa Vieira
da Silva, doutora
Universidade Federal de Alagoas
29 de abril de 2025