SEBASTIANA LUCIENE SILVA DOS SANTOS
SEBASTIANA LUCIENE SILVA DOS SANTOS.pdf
Documento PDF (10.5MB)
Documento PDF (10.5MB)
MANUAL DE GESTÃO PARA A EQUIDADE DE
GÊNERO VOLTADO PARA MULHERES
NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DO
NORDESTE
MANUAL DE GESTÃO PARA EQUIDADE DE GÊNERO VOLTADO PARA
AS MULHERES NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DO NORDESTE
Relatório técnico apresentado pela mestranda Sebastiana
Luciene Silva dos Santos ao Mestrado Profissional em
Administração Pública em Rede, sob orientação do docente
Nilson Cibério de Araújo Leão, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Mestre em Administração Pública.
03
Contexto e/ou organização e/ou
setor da proposta
05
Público-alvo da proposta
07
Descrição da situação-problema
09
SUMÁRIO
Resumo
Produto Técnico tecnológico
Referências
Protocolo de recebimento
11
19
20
03
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
RESUMO
Este relatório técnico resulta da análise das
políticas institucionais de equidade de
gênero
voltadas
às
mulheres
nas
Universidades Federais do Nordeste, a partir
da triangulação de dados provenientes dos
Planos de Desenvolvimento Institucional
(PDIs),
relatórios
de
autoavaliação
institucional e informações disponibilizadas
nos sites oficiais. A situação-problema
identificada refere-se à baixa integração
entre
discurso
normativo
e
prática
institucional, à fragmentação das ações e à
ausência de mecanismos sistemáticos de
monitoramento e avaliação. Como proposta
de intervenção, apresenta-se um conjunto
de recomendações estruturantes voltadas
ao fortalecimento da transversalidade, da
institucionalização e da efetividade das
políticas de equidade de gênero. As
contribuições práticas esperadas incluem o
aprimoramento da governança institucional,
a
qualificação
dos
processos
de
planejamento
e
avaliação
e
o
fortalecimento
de
políticas
públicas
universitárias comprometidas com a justiça
de gênero.
This technical report results from the
analysis of institutional gender equity
policies aimed at women in the Federal
Universities of Northeast Brazil, based on the
triangulation of data from Institutional
Development Plans (PDIs), institutional selfassessment
reports,
and
information
available on official websites. The identified
problem situation refers to the low
integration between normative discourse
and institutional practice, the fragmentation
of actions, and the absence of systematic
monitoring and evaluation mechanisms. As
a proposed intervention, a set of structuring
recommendations is presented aimed at
strengthening
the
transversality,
institutionalization, and effectiveness of
gender equity policies. The expected
practical
contributions
include
the
improvement of institutional governance, the
enhancement of planning and evaluation
processes, and the strengthening of
university public policies committed to
gender justice.
Uma reflexão ética sobre o reconhecimento do
valor de vidas que não espelham a própria
experiência,
alerta
que
a
recusa
desse
reconhecimento
revela
um
posicionamento
narcisista e culturalmente arrogante, incompatível
com relações éticas com a diferença (Butler,2024)
04
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
Apesar do reconhecimento discursivo da
equidade
de
gênero
nos
documentos
institucionais, a pesquisa evidenciou que a
maioria das universidades federais do Nordeste
não apresenta políticas de gênero integradas de
forma transversal nos PDIs, relatórios de
autoavaliação e sites institucionais. As ações
identificadas concentram-se, em grande parte,
em iniciativas pontuais, eventos episódicos e
projetos de extensão, sem planejamento
continuado, definição clara de responsabilidades,
orçamento próprio ou indicadores de impacto.
Essa fragmentação compromete a efetividade
das
políticas
e
limita
sua
capacidade
transformadora
no
enfrentamento
das
desigualdades de gênero no espaço universitário.
Diante desse cenário, o principal objetivo
desta intervenção é propor estratégias de
aprimoramento das políticas institucionais de
equidade de gênero voltadas às mulheres nas
Universidades Federais do Nordeste.
Os resultados esperados deste produto é
adoção
deste
manual
de
gestão,
possibilitando Superação da fragmentação
institucional;
Consolidação de políticas de equidade com
base interseccional;
Maior coerência entre discurso institucional e
prática;
Redução das desigualdades de gênero no
ambiente universitário;
Fortalecimento
do
papel
social
das
universidades como promotoras de justiça
social.
Despite the discursive recognition of gender
equity in institutional documents, the research
showed that most federal universities in the
Northeast do not present gender policies
integrated transversally in their Institutional
Development Plans (PDIs), self-assessment
reports, and institutional websites. The actions
identified are largely concentrated in one-off
initiatives, episodic events, and extension
projects, without continuous planning, a clear
definition of responsibilities, a dedicated
budget,
or
impact
indicators.
This
fragmentation compromises the effectiveness
of the policies and limits their transformative
capacity in addressing gender inequalities in
the university environment.
Given this scenario, the main objective of this
intervention is to propose strategies for
improving institutional gender equity policies
aimed at women in the Federal Universities of
the Northeast.
The expected results of this product are the
adoption of this management manual,
enabling:
Overcoming institutional fragmentation;
Consolidation of equity policies based on
intersectionality;
Greater coherence between
discourse and practice;
institutional
Reduction of gender inequalities in the
university environment; Strengthening the
social role of universities as promoters of social
justice.
05
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
CONTEXTO
A análise das políticas institucionais de
equidade de gênero nas universidades
federais
do
Nordeste
evidencia
um
descompasso
significativo
entre
o
reconhecimento formal da pauta e sua
efetiva
institucionalização,
revelando
fragilidades estruturais, operacionais e
conceituais
que
limitam
o
alcance
transformador dessas políticas.
Diante desse contexto, esse produto técnico
tecnológico
abrange
as
seguintes
organizações e setores:
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Universidade Federal do Ceará (UFC)
Universidade Federal do Cariri (UFCA)
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)
Universidade Federal do Vale do São Francisco
(UNIVASF)
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Universidade Federal do Agreste de Pernambuco
(UFAPE)
Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB)
Reitorias
Pró-Reitorias de Planejamento
Pró-Reitorias de Gestão de Pessoas
Pró-Reitorias de Assistência Estudantil
Pró-Reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação
Comissões Próprias de Avaliação (CPA)
Núcleos, comitês e coordenações de ações
afirmativas
No âmbito das instituições de ensino superior, o cenário é particularmente
desfavorável, pois, segundo o Relatório Mulher no Orçamento (2024), não há
previsão orçamentária específica para ações voltadas às mulheres nas
universidades federais, o que mantém a educação superior em condição de
invisibilidade orçamentária, em contradição com seu papel estratégico na
promoção da transformação social ( (Almeida, 2024; Seffner; Penna, 2024).
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
A importância de observar as políticas
públicas como elas são de fato, ou seja, na
prática, reforça o papel das instituições
envolvidas. É válido frisar também, que as
ações que visam a igualdade, a equidade e
a diversidade no contexto das IFES possuem
diferentes
conceitos,
mas
que
se
complementam diante do cenário de uma
sociedade plural representada dentro do
espaço universitário.
Heilborn e Rodrigues (2018) apresentam a
igualdade de gênero como um conceito
onde o gênero não é uma essência natural,
mas uma formação que varia de acordo
com o contexto social, cultural e histórico,
sendo uma ferramenta fundamental para
analisar e criticar as relações de poder e a
hierarquia de gênero na sociedade.
Já MacArthur, Carrad e Willets (2021)
retratam a igualdade de gênero como um
conceito multifacetado, que vai além da
simples equiparação formal entre homens e
mulheres,
abrangendo
transformações
estruturais nas relações de poder, acesso a
recursos e participação social, revelando
que a igualdade de gênero é um processo
complexo, situado em contextos históricos e
culturais específicos, e que demanda
análises interdisciplinares e engajamento
crítico com as estruturas que sustentam as
desigualdades.
06
Assim,
por ser a igualdade de gênero
entendida como um conceito constituído a partir
de uma construção social e histórica é possível
analis á-lo por meio d as relações de poder,
questionando hierarquias e desigualdades , bem
como acesso a recursos e a plena participação
social ( Heilnorn ; Rodrigues , 2018; MacArthur ;
Carrad ; Willets , 2021).
Manyweathers et al. (2020) compreendem que
o conceito de equidade de gênero trata de um
processo que vai além da igualdade formal,
exigindo o reconhecimento e a superação de
desigualdades estruturais que afetam de
maneira
desproporcional
mulheres,
especialmente
no
que
se
refere
às
responsabilidades de cuidado.
No contexto universitário, analisado por esse
estudo, a equidade de gênero demanda não
apenas a formulação de políticas, mas sua
efetiva implementação, com financiamento
orçamentário adequado, comunicação clara e
revisão contínua de práticas institucionais que
reproduzem assimetrias de gênero. Assim, a
equidade é entendida como um compromisso
institucional com a justiça social, que requer
transformações culturais e organizacionais para
garantir condições reais e justas de participação
e progressão profissional a todos os gêneros.
07
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
PÚBLICO-ALVO
Gestores e gestoras universitários
Servidoras docentes e técnico-administrativas
Estudantes mulheres
Núcleos institucionais de equidade, diversidade e ações afirmativas
Comissões de planejamento e avaliação institucional
DADOS
Público-alvo direto das políticas analisadas
Mulheres
no
contexto
universitário,
especialmente:
Discentes (graduação e pós-graduação),
com atenção às condições de acesso,
permanência, participação acadêmica e
enfrentamento das desigualdades de
gênero;
Servidoras
docentes
e
técnicoadministrativas, particularmente no que
se refere à sub-representação em cargos
de gestão, produção científica, áreas
masculinizadas e ausência de políticas
institucionais estruturadas;
Mulheres
em
situação
de
maior
vulnerabilidade, considerando recortes
interseccionais de raça, classe, território,
maternidade e identidade de gênero,
ainda pouco contemplados nas ações
institucionais
Rem sunt omnis aut
Público-alvo indireto
Gestores
universitários
e
formuladores
de
políticas
institucionais, responsáveis pela
elaboração, implementação e
monitoramento
dos
PDIs
e
relatórios de avaliação;
Comunidade
acadêmica
ampliada (estudantes, docentes,
técnicas/os
e
comunidade
externa), beneficiária das ações
de ensino, pesquisa, extensão e
enfrentamento à violência de
gênero
desenvolvidas
pelas
universidades.
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
Santos e Carneiro (2024) entende que
políticas de equidade de gênero não podem
se restringir à igualdade formal, mas devem
considerar
a
interseccionalidade
das
opressões para produzir transformações
práticas e reparatórias. Nesse sentido, as
políticas de equidade podem ser mais bem
exemplificadas no seguinte quadro:
08
09
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO
PROBLEMA
Esta pesquisa desenvolvida sobre as
políticas de equidade de gênero para as
mulheres nas 20 UFs do Nordeste
identificou as
seguintes situaçõesproblemas:
1. Fragmentação entre normatividade
institucional e práticas acadêmicas:
Um
dos
principais
problemas
identificados refere-se à ausência de
transversalidade entre os documentos
normativos
(PDIs
e
relatórios
de
autoavaliação) e as ações desenvolvidas
no campo da pesquisa, ensino e
extensão. Em 19 das 20 universidades
analisadas, as políticas afirmativas não
aparecem de forma integrada nos três
documentos examinados, o que indica
que a equidade de gênero ainda não
constitui um eixo estruturante da gestão
universitária.
Na prática, isso se traduz em situações
como:
PDIs que mencionam genericamente
“diversidade” ou “inclusão”, sem
desdobrar metas, indicadores ou
responsabilidades institucionais;
Sites institucionais que divulgam
projetos e eventos sobre gênero sem
conexão
explícita
com
o
planejamento
estratégico
da
universidade;
Relatórios de autoavaliação que
registram ações pontuais, mas não
avaliam impactos nem continuidade.
A UFOB aparece como exceção ao
apresentar maior integração entre
documentos, ainda que de forma
incipiente,
evidenciando
que
a
articulação é possível, mas pouco
difundida.
2. Predominância de ações episódicas e
simbólicas
Outro problema recorrente é o caráter
episódico das ações de equidade de gênero,
frequentemente concentradas em eventos,
campanhas
educativas
e
datas
comemorativas, como o Dia Internacional
da Mulher ou campanhas de enfrentamento
à violência. Embora importantes para
sensibilização, essas iniciativas não são
acompanhadas de políticas permanentes, o
que compromete sua capacidade de
produzir mudanças estruturais.
Exemplos concretos incluem:
Seminários e mesas-redondas sem
continuidade institucional ou articulação
com programas de formação;
Projetos de extensão com duração
limitada,
dependentes
de
editais
temporários;
Ausência de estruturas administrativas
permanentes
responsáveis
pelo
acompanhamento das ações.
Esse padrão revela que a equidade de
gênero ainda é tratada, em muitos casos,
como uma pauta complementar, e não
como parte do núcleo da política
institucional.
3.
Fragilidade
no
enfrentamento
institucional da violência e discriminação
de gênero
A pesquisa também evidencia uma lacuna
crítica no enfrentamento da violência de
gênero. Apenas a UFPB possui um comitê
institucional específico (CoMu) voltado à
prevenção e enfrentamento da violência
contra as mulheres, enquanto a UFS
apresenta uma cartilha educativa produzida
por grupo de pesquisa, sem que isso se
converta
em
protocolo
institucional
sistemático.
Na maioria das universidades:
Não há fluxos formais de denúncia
claramente divulgados;
Inexistem protocolos institucionais de
acolhimento psicológico, jurídico ou
social para mulheres em situação de
violência;
A articulação com redes externas de
proteção (CREAS, Defensoria, Ministério
Público)
não
é
explicitada
nos
documentos oficiais.
Como consequência, a violência de gênero
permanece subnotificada e tratada de
forma genérica, sem respostas institucionais
estruturadas.
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
10
4. Foco restrito em áreas masculinizadas e
ausência de abordagem interseccional
5. Inconsistência nos relatórios de
autoavaliação
A ênfase no estímulo à participação feminina
em áreas como Engenharia, Computação e
Ciências Exatas aparece de forma recorrente e
positiva. No entanto, esse foco revela uma
concepção restrita de equidade, pois deixa à
margem:
Outras áreas acadêmicas igualmente
atravessadas por desigualdades de gênero,
como as ciências humanas, agrárias e da
saúde;
Questões interseccionais relacionadas a
raça, classe, maternidade, sexualidade e
território.
Por exemplo:
Poucas
ações
consideram
as
especificidades
de
mulheres
negras,
indígenas, quilombolas ou periféricas;
A maternidade acadêmica raramente
aparece
como
eixo
de
políticas
institucionais;
A diversidade sexual e de gênero é pouco
articulada
às
políticas
voltadas
às
mulheres.
Essa ausência compromete a capacidade das
políticas de responder às experiências
múltiplas e desiguais das mulheres no
ambiente universitário.
Os relatórios de autoavaliação institucional,
embora mencionem a temática de gênero,
carecem
de
indicadores,
metas
e
mecanismos de monitoramento, o que
dificulta a avaliação da efetividade das
ações.
São recorrentes:
Descrições
narrativas
sem
dados
quantitativos ou qualitativos;
Falta de identificação do público-alvo
alcançado;
Ausência de análise crítica sobre
limitações e fragilidades das ações
implementadas.
Esse padrão transforma os relatórios em
documentos
predominantemente
descritivos, que não produzem subsídios
concretos para o aprimoramento das
políticas de equidade de gênero.
PRODUTO TÉCNICO TECNOLÓGICO
11
OBJETIVOS DA PROPOSTA
Este Manual de Gestão tem como finalidade orientar gestores universitários na construção,
implementação, monitoramento e avaliação de políticas de equidade de gênero alinhadas
aos documentos institucionais e às práticas cotidianas, incorporando de forma transversal a
perspectiva interseccional (gênero, raça, classe, maternidade, sexualidade, território e
deficiência).
Recomendações de Intervenção
As recomendações a seguir trazem exemplos práticos de como
solucionar as lacunas encontradas na pesquisa, diagnosticadas no
relatório técnico
1. INSTITUCIONALIZAÇÃO
EQUIDADE DE GÊNERO
TRANSVERSAL
DAS
POLÍTICAS
DE
RECOMENDAÇÃO:
INTEGRAR AS POLÍTICAS DE EQUIDADE DE GÊNERO DE FORMA TRANSVERSAL AOS
PDIS, RELATÓRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO E CANAIS INSTITUCIONAIS DE
COMUNICAÇÃO.
Exemplos práticos:
Inserção de um eixo estratégico específico de equidade de gênero no PDI,
com metas, indicadores e cronograma definidos.
Criação de uma matriz de alinhamento que vincule objetivos do PDI às ações
divulgadas nos sites institucionais e avaliadas nos relatórios.
Padronização de nomenclaturas (igualdade, equidade, diversidade, ações
afirmativas) nos documentos oficiais, evitando ambiguidades conceituais.
2. CRIAÇÃO OU FORTALECIMENTO
INSTITUCIONAIS PERMANENTES
DE
INSTÂNCIAS
Recomendação:
Consolidar estruturas administrativas responsáveis pela formulação, execução e
monitoramento das políticas de gênero.
Exemplos práticos:
Criação de Coordenações, Comitês ou Núcleos de Equidade de Gênero
vinculados diretamente à Reitoria.
Formalização dessas instâncias por meio de resoluções dos Conselhos
Superiores, garantindo estabilidade institucional.
Designação de equipes técnicas multidisciplinares (assistência social, psicologia,
pedagogia, gestão pública).
3. IMPLEMENTAÇÃO DE MECANISMOS
MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO
SISTEMÁTICOS
DE
Recomendação:
Desenvolver instrumentos de acompanhamento contínuo das políticas de
equidade de gênero.
Exemplos práticos:
Inclusão de indicadores qualitativos e quantitativos nos relatórios de
autoavaliação (ex.: participação feminina em cargos de gestão, progressão na
carreira, evasão acadêmica).
Criação de painéis institucionais de indicadores de gênero, atualizados
anualmente.
Avaliações periódicas que identifiquem fragilidades, avanços e impactos das
ações implementadas.
4. FORTALECIMENTO DA ARTICULAÇÃO
INSTITUCIONAIS, PESQUISA E EXTENSÃO
Recomendação:
Integrar produção acadêmica,
institucionais de gênero.
projetos
de
ENTRE
POLÍTICAS
extensão
e
políticas
Exemplos práticos:
Lançamento de editais institucionais específicos para pesquisas e
projetos de extensão em equidade de gênero.
Reconhecimento dessas atividades nos critérios de progressão
funcional docente.
Articulação entre grupos de pesquisa, pró-reitorias e instâncias de
gestão para institucionalizar iniciativas já existentes.
5. AMPLIAÇÃO DO ENFOQUE INTERSECCIONAL NAS POLÍTICAS DE
GÊNERO
Recomendação:
Incorporar explicitamente raça, classe, maternidade, território, deficiência e
diversidade sexual nas políticas de equidade.
Exemplos práticos:
Coleta e análise de dados desagregados por gênero, raça/etnia e condição
socioeconômica.
Programas específicos de permanência e apoio para mulheres negras,
indígenas, mães universitárias e pessoas LGBTQIA+.
Inclusão da interseccionalidade como princípio orientador nos documentos
institucionais.
6. DIVERSIFICAÇÃO DOS CAMPOS ACADÊMICOS CONTEMPLADOS
PELAS POLÍTICAS DE GÊNERO
Recomendação:
Superar o foco exclusivo em áreas como Engenharia e Computação,
ampliando o alcance das ações.
Exemplos práticos:
Políticas de equidade voltadas também às ciências humanas, sociais
aplicadas, saúde, artes e educação.
Valorização da produção científica feminista e interseccional em
diferentes áreas do conhecimento.
Incentivo à liderança feminina em coordenações de curso e programas
de pós-graduação diversos.
7. INSTITUCIONALIZAÇÃO DE POLÍTICAS DE ENFRENTAMENTO À
VIOLÊNCIA E DISCRIMINAÇÃO DE GÊNERO
Recomendação:
Criar estruturas permanentes de acolhimento, prevenção e enfrentamento da
violência de gênero.
Exemplos práticos:
Elaboração e divulgação de protocolos institucionais de denúncia e acolhimento.
Implantação de serviços permanentes de escuta psicológica e orientação jurídica
para estudantes e servidoras.
Parcerias formais com redes externas de proteção, como Defensorias Públicas e
Centros de Referência da Mulher.
8. GARANTIA DE ORÇAMENTO ESPECÍFICO PARA POLÍTICAS DE EQUIDADE DE
GÊNERO VOLTADO PARA MULHERES
Recomendação:
Assegurar recursos financeiros próprios para a execução das ações.
Exemplos práticos:
Previsão de rubrica orçamentária específica no planejamento anual da universidade.
Financiamento contínuo de ações estruturantes, evitando dependência de projetos
pontuais.
Transparência na alocação e execução dos recursos destinados às políticas de gênero
para mulheres.
14
SÍNTESE FINAL DO MANUAL DE GESTÃO
Essas recomendações, acompanhadas de exemplos concretos,
demonstram que o fortalecimento das políticas de equidade de gênero
nas universidades federais do Nordeste exige institucionalização,
transversalidade, avaliação contínua, abordagem interseccional e
sustentabilidade financeira, permitindo que as ações superem o
caráter simbólico e se consolidem como políticas públicas
universitárias efetivas e transformadoras.
19
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Kathia Susana. A educação cidadã transversal e interdisciplinar: abordagens de questões
de justiça social, igualdade de gênero, diversidade cultural e sustentabilidade climática. Studies in
Multidisciplinary Review, Curitiba, v. 5, n. 2, 2024.
HEILBORN, Maria Luiza; RODRIGUES, Carla. Gênero: breve história de um conceito. Aprender – Cad.
de Filosofia e Pisc. da Educação. Ano XII, n. 20, p. 9-21, jul/dez 2018.
MANYWEATHERS, Jennifer; LYMN, Jessie; RURENGA, Geraldine; MURRELL-ORGILL, Katie; THOMAS,
Shara Cameronse Cate. A experiência vivida de políticas de gênero e equidade de gênero em uma
universidade regional australiana. Ciências Sociais, v. 9, jul. 2020.
MACARTHUR, Jess; CARRAD, Naomi; WILLETS, Juliet. Explorando a mudança de gênero: conceitos e
tendências em avaliações de igualdade de gênero. Terceiro Mundo Trimestral, v. 42, n. 9, p. 21892208, 2021.
RODRIGUES, João Paulo Ribeiro. A população LGBTI e os objetivos de desenvolvimento sustentável
nos países-membros do Merconsul. Cadernos eletrônicos direito internacional sem fronteiras, v.3, n.1.
p.1-22, 2021.
SANTOS, Jaqueline; CARNEIRO, Suelaine. Enfrentar o racismo e o sexismo para a reconstrução da
política educacional em uma perspectiva interseccional: a proposta das mulheres negras. Educação
& Sociedade, v. 45, p. e276347, 2024.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Plano de Desenvolvimento Institucional. Maceió: 2019.
Disponível em: pdi-ufal-2019-2023-completo.pdf. Acesso em: 13 de jun.2025.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Plano de Desenvolvimento Institucional. Fortaleza: 2023.
Disponível em: PDI 2023-2027 – Plano de Desenvolvimento Institucional da UFC. Acesso em: 26 de
agos. 2025.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA. Edital de concessão de auxílio creche. UFSB, 17 de
julho de 2024. Disponível: Edital_Proaf_04_2024__Auxilio_Creche_%28Retificado%29_assinado.pdf. Acesso em: 13 de jun. 2025.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA. Relatório de Autoavaliação Institucional:
Relatório Final do Quarto Ciclo Avaliativo 2018-2020 / Comissão Própria de Avaliação – CPA / UFRB.
Cruz das Almas – BA.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA. UFRB seleciona estudantes para projeto de
combate à misoginia e o feminicídio. UFRB, 20 de fevereiro de 2025. Disponível em: UFRB seleciona
estudantes para projeto de combate à misoginia e o feminicídio. Acesso em: 25 de agos. 2025.
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
20
Protocolo de recebimento do
produto técnico-tecnológico
Às
Universidades Federais do Nordeste
Pelo presente, encaminhamos o produto técnico-tecnológico intitulado “Manual de Gestão
para Equidade de Gênero voltado para as Mulheres nas Universidades Federais do Nordeste”,
derivado da dissertação de mestrado “ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA: ANÁLISE DAS POLÍTICAS
DE EQUIDADE DE GÊNERO PARA MULHERES NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DO NORDESTE ”, de
autoria de “Sebastiana Luciene Silva dos Santos”.
Os documentos citados foram desenvolvidos no âmbito do Mestrado Profissional em
Administração Pública em Rede Nacional (Profiap), instituição associada “Universidade
Federal de Alagoas”.
A solução técnico-tecnológica é apresentada sob a forma de um “Produto Técnico
Tecnológico e seu propósito é “elaborar um manual de gestão sobre políticas de equidade
de gênero para as mulheres nas 20 universidades federais do Nordeste auxiliando na
elaboração e manutenção de políticas que enfrentem a desigualdade de gênero no âmbito
das instituições e ensino superior.”
Solicitamos, por gentileza, que ações voltadas à implementação desta proposição sejam
informadas à Coordenação Local do Profiap, por meio do endereço “profiap@feac.ufal.br”.
Cidade, UF
24 de janeiro de 2026
Registro de recebimento
Assinatura, nome e cargo (detalhado) do recebedor
Discente: Sebastiana Luciene Silva dos
Santos
Orientador: Nilson Cibério de Araújo
Leão
Universidade Federal de Alagoas
24 de janeiro de 2026
