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PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
Proposta de intervenção para os servidores
do Instituto Federal de Alagoas
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL
CONTÍNUA PARA OS SERVIDORES
DO INSTITUTO FEDERAL DE
ALAGOAS
Proposta contextualizada de produto técnico/tecnológico
apresentado pelo mestrando José Henrique Ferreira da Silva
ao Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede
Nacional (PROFIAP), sob orientação do Prof. Dr. Nicholas Joseph
Tavares da Cruz, como parte dos requisitos para obtenção do
título de Mestre em Administração Pública.
SUMÁRIO
Resumo
Contexto
03
04
Público-alvo da proposta
06
Situação-problema
07
Objetivos da proposta
Proposta de intervenção
Autoria da porposta
09
11
13
Referências
Protocolo de recebimento
Atributos qualificadores do PTT
Evidenciação de implementação e
impacto da proposta
14
15
17
19
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
03
RESUMO
Este
produto
técnico-tecnológico
apresenta um Plano de Capacitação Digital
Contínua para os servidores do Instituto
Federal de Alagoas (IFAL), elaborado a partir
de pesquisa de métodos mistos que
combinou survey com 202 servidores,
entrevistas
semiestruturadas
com
16
Coordenadores de Registro Acadêmico e
análise de dados institucionais.
O diagnóstico revelou que, embora a
digitalização tenha produzido ganhos
expressivos na dimensão econômica, com a
eliminação quase total dos processos físicos
desde 2021, a agilidade na tramitação, a
qualidade dos documentos produzidos e o
acesso à informação nos sistemas ainda
apresentam
desempenho
aquém
do
esperado, justamente por dependerem do
nível de domínio digital dos servidores.
As maiores lacunas de competência
concentram-se nas áreas de segurança
digital e resolução autônoma de problemas
técnicos. Mais de 92% do quadro funcional
não possui participação sistemática em
ações formativas institucionais, e a principal
barreira identificada é a inadequação da
oferta, não a resistência à formação.
O plano propõe arquitetura formativa
organizada em trilhas diferenciadas por
área de atuação (Operação Administrativa,
Operação Acadêmica e Competências
Transversais),
com
ciclos
semestrais
permanentes, formato híbrido e indicadores
de monitoramento, operacionalizando a
meta do PETIC 2024-2028 de capacitar 100%
dos servidores em competências digitais até
2028.
A capacitação digital dos servidores opera como
vetor
de
fortalecimento
da
capacidade
institucional do IFAL para entregar serviços
públicos de qualidade à sociedade alagoana.
04
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
CONTEXTO DE APLICAÇÃO DA PROPOSTA
O Instituto Federal de Alagoas é uma
instituição multicampi de ensino, pesquisa e
extensão vinculada à Rede Federal de
Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
Sua estrutura abrange dezesseis campi
distribuídos em quinze municípios alagoanos e
a Reitoria, com quadro funcional de
aproximadamente 1.918 servidores ativos, entre
Técnicos-Administrativos em Educação e
docentes.
A trajetória recente da instituição é marcada
pela aceleração da transformação digital. A
Portaria nº 885, de 28 de fevereiro de 2020,
instituiu a obrigatoriedade da tramitação
eletrônica de processos administrativos por
meio do SIPAC. Essa medida, combinada à
pressão imposta pelo contexto pandêmico, fez
com que praticamente 100% dos processos
passassem a tramitar eletronicamente a partir
de 2021, antes, porém, que os servidores
desenvolvessem as competências digitais
correspondentes.
A maioria do corpo funcional ingressou no
IFAL antes de 2020 e vivenciou a digitalização
como ruptura de rotina, não como condição
inicial de trabalho. Trata-se de um quadro
altamente escolarizado (mais de 95% dos
servidores possuem pós-graduação) o que
demonstra que as lacunas de competência
digital identificadas pela pesquisa não
decorrem de baixa formação acadêmica, mas
da ausência de capacitação específica e
contextualizada
para
os
sistemas
institucionais.
O Plano Estratégico de Tecnologia da
Informação e Comunicação (PETIC 2024-2028)
confirma esse cenário ao reconhecer, em sua
matriz SWOT, a "ausência de planejamento
para a capacitação da equipe de TI" como
ponto fraco institucional, e estabelecer, no
Objetivo Estratégico 10, a meta de capacitar
100% dos servidores em competências digitais
até 2028.
A capilaridade territorial e a heterogeneidade de
perfis profissionais conferem ao IFAL relevância
estratégica no desenvolvimento regional do estado
de Alagoas.
Campi do IFAL em Alagoas
16 unidades · 15 municípios
Maragogi F
IDENTIFICAÇÃO DOS CAMPI
A Arapiraca
B Batalha
Batalha B
Q
C Benedito Bentes
Viçosa
D Coruripe
H
E Maceió L
Murici
Piranhas
F Maragogi
G Marechal Deodoro
Sta. do IpanemaN
Palmeira dos Índios I
Palmeira dos Índios
R
J Penedo
L Piranhas
Marechal Deodoro
M Rio Largo
N Santana do Ipanema
O São Miguel dos Campos
P Satuba
Satuba
Benedito Bentes
M Rio Largo
E Maceió
H Murici
I
P
C
A
Arapiraca
São Miguel dos Campos
O
Q Viçosa
R Reitoria (Maceió)
D
J
Penedo
Fonte: IFAL (2025). Elaborado pelo autor.
Coruripe
G
Reitoria
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
05
A pesquisa diagnosticou o que a literatura
denomina segunda barreira digital: uma vez
garantido o acesso aos sistemas, são as
assimetrias
de
competência
entre
os
servidores que passam a determinar a
qualidade dos serviços prestados. Apenas 7,9%
dos servidores participam com frequência de
ações de capacitação digital ofertadas pelo
IFAL. Do lado oposto, 37,6% nunca participaram
de nenhuma formação institucional nessa
área. Dos que participaram, somente 9,4%
avaliaram a experiência como efetiva, com
aplicação prática real ao cotidiano de trabalho.
A barreira não é a resistência dos servidores.
Apenas 3% declararam não sentir necessidade
de capacitação. A principal causa do baixo
engajamento é a falta de oferta de cursos
específicos, citada por 120 respondentes, mais
de três vezes acima da segunda barreira, que é
a falta de tempo.
A análise dos Planos de Desenvolvimento de
Pessoas (PDPs) reforçou esse diagnóstico: as
mesmas demandas por capacitação em SIGAA,
SIPAC e LGPD foram registradas pelos servidores
por anos consecutivos sem conversão em
ações efetivas. O Relatório de Gestão de 2024
documenta, ainda, avanço de apenas 73,81% no
Assentamento Funcional Digital, indicador
objetivo que confirma a percepção negativa
dos servidores sobre o acesso à informação nos
sistemas.
A proposta dialoga diretamente com três
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da
Agenda 2030 da ONU: o ODS 4 (Educação de
Qualidade), o ODS 9 (Indústria, Inovação e
Infraestrutura) e o ODS 16 (Paz, Justiça e
Instituições Eficazes).
O presente produto responde a esse
diagnóstico ao operacionalizar concretamente
a meta de capacitação prevista no PETIC,
oferecendo à Diretoria de Gestão de Pessoas
um instrumento estruturado para conduzir as
ações formativas no quadriênio 2026-2029,
com mecanismos de avaliação de impacto
sobre os indicadores de eficiência institucional.
A demanda formativa transcende os sistemas
centrais. Os servidores indicaram como áreas
prioritárias: operação avançada do SIPAC (104
marcações), segurança da informação e LGPD
(97), ferramentas de produtividade (93), edição
de documentos digitais (91) e operação
avançada do SIGAA (53). Esse mapeamento
embasa os eixos temáticos do plano proposto.
06
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
PÚBLICO-ALVO DA PROPOSTA
O praticante-líder desta proposta é a Diretoria
de Gestão de Pessoas (DGP) do IFAL,
responsável institucional pela política de
desenvolvimento dos servidores e pela
coordenação dos Planos de Desenvolvimento
de Pessoas (PDPs). A DGP detém competência
regimental e autonomia operacional para
articular as áreas envolvidas na execução do
plano, em especial a Diretoria de Tecnologia da
Informação
(DTI),
a
Pró-Reitoria
de
Desenvolvimento Institucional (PRODI), a PróReitoria de Ensino (PROEN) e as direções dos
campi.
A execução do plano depende dessa
articulação porque os conteúdos formativos
são definidos pela DTI (que domina os
sistemas), enquanto a logística de oferta, o
registro no PDP e a certificação são de
responsabilidade da DGP. A presente proposta
foi elaborada em linguagem orientada a esse
público gestor, priorizando a operacionalização
em detrimento da fundamentação teórica.
PRATICANTES OPERATIVOS
1.918 servidores ativos do IFAL
107 TAEs e 95 docentes na amostra da pesquisa
61,4% na área acadêmica (foco SIGAA)
38,1% na área administrativa (foco SIPAC)
~30% em cargos de gestão (FG, FCC ou CD)
Os praticantes operativos são os 1.918
servidores ativos do IFAL, incluindo TécnicosAdministrativos em Educação (TAEs) e docentes
lotados nas dezesseis unidades e na Reitoria. A
pesquisa identificou que 61,4% atuam na área
acadêmica/ensino, tendo no SIGAA seu sistema
central,
e
38,1%
na
área
administrativa/sistêmica, concentrando suas
atividades no SIPAC. Cerca de 30% ocupam
cargos de gestão (FG, FCC ou CD), o que
enriquece o público-alvo por possuírem visão
mais abrangente do impacto dos sistemas na
rotina dos setores.
Os beneficiários finais são os estudantes,
docentes e a comunidade externa atendidos
pelo IFAL. A elevação do domínio digital dos
servidores incide diretamente sobre a qualidade
do atendimento acadêmico e administrativo
prestado à sociedade alagoana.
BENEFICIÁRIOS FINAIS
Estudantes, docentes e comunidade externa
16 campi + Reitoria em 15 municípios
2 sistemas centrais avaliados (SIPAC e SIGAA)
5 dimensões de competência digital mapeadas
5 indicadores de eficiência monitorados
DADOS
1.918 servidores ativos
15 municípios alcançados
107 TAEs e 95 docentes na amostra
5 dimensões de competência digital
16 campi + Reitoria
2 sistemas centrais (SIPAC e SIGAA)
92% sem capacitação sistemática
Formato híbrido como preferência nº 1
07
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
A SITUAÇÃO-PROBLEMA:
DIAGNÓSTICO, ANÁLISE E
LINHA DE INTERVENÇÃO
A pesquisa que originou este produto
técnico-tecnológico investigou de que forma a
capacitação digital dos servidores impacta a
eficiência dos serviços públicos prestados pelo
IFAL. A abordagem de métodos mistos
combinou survey aplicado a 202 servidores,
entrevistas
semiestruturadas
com
16
Coordenadores de Registro Acadêmico e
análise de dados secundários extraídos dos
Relatórios de Gestão (2020-2024) e do PETIC
2024-2028.
O corpo funcional do IFAL revelou-se
altamente titulado, mais de 95% possuem pósgraduação, e com competências consolidadas
no uso cotidiano das ferramentas digitais. As
lacunas, porém, se concentram nas áreas que
exigem autonomia técnica e conhecimento
normativo: segurança digital e resolução de
problemas. Parcela relevante dos servidores
ainda depende do suporte da TI para situações
rotineiras como erros de login e travamentos, o
que sobrecarrega as equipes técnicas.
Quanto à eficiência dos serviços, a
digitalização produziu ganhos expressivos na
eliminação de processos em papel. Desde 2021,
praticamente 100% tramitam eletronicamente.
Contudo, os indicadores que dependem do
domínio do servidor permaneceram aquém do
esperado: a qualidade dos documentos
produzidos, a agilidade na tramitação e,
sobretudo, o acesso à informação nos sistemas
apresentaram desempenho insatisfatório. O
Relatório de Gestão de 2024 confirma esse
cenário ao registrar que seis campi sequer
haviam iniciado o upload do Assentamento
Funcional Digital e que o avanço geral dessa
digitalização atingia apenas 73,81% do previsto.
A fase qualitativa confirmou o diagnóstico
no plano operacional. Os 16 Coordenadores de
Registro Acadêmico relataram quatro padrões
recorrentes nos campi: retrabalho por falhas na
persistência de dados no SIGAA, atrasos no
atendimento por problemas nos fluxos entre
setores, sobrecarga por absorção de funções
que não lhes competiam e deterioração da
confiança do usuário.
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
O quadro diagnosticado configura, no plano
coletivo, o que a literatura denomina segunda
barreira digital (Hargittai, 2002): garantido o
acesso aos sistemas, são as assimetrias de
competência entre os servidores que geram
desigualdades de desempenho, propagandose pelos fluxos de trabalho e comprometendo a
entrega de valor público. A escolaridade
elevada não protege contra essa barreira, pois
ela opera no plano da competência específica
aplicada aos sistemas institucionais, não no
plano da formação acadêmica geral.
O diagnóstico de capacitação revelou o
achado mais crítico da pesquisa. Apenas 7,9%
dos servidores participam com frequência de
ações
formativas
digitais.
Dos
que
participaram, somente 9,4% avaliaram a
experiência como efetiva, com aplicação
prática real ao cotidiano. A falta de oferta de
cursos específicos foi a barreira dominante,
com 120 marcações, mais de três vezes acima
da segunda barreira (falta de tempo, com 33
marcações). Apenas 3% declararam não sentir
necessidade de capacitação. A demanda
existe e é expressiva; o que falta é oferta
adequada.
A análise dos Planos de Desenvolvimento de
Pessoas confirmou que as mesmas demandas
por capacitação em SIGAA, SIPAC e LGPD foram
registradas por anos consecutivos sem
conversão em ações efetivas, evidenciando
déficit estrutural na política de formação.
08
A literatura oferece orientações claras para
superar esse padrão. Farrell e Hicks (2020)
identificam como principal fragilidade dos
modelos tradicionais a ênfase nos conteúdos
conceituais em detrimento da aplicação
prática. Edelmann, Mergel e Lampoltshammer
(2023), ao analisarem academias digitais
internas em organizações públicas europeias,
documentaram ganhos superiores a 60% na
eficiência de processos quando o modelo
combina metodologias diversas e conta com
apoio da liderança institucional.
A linha de intervenção escolhida é, portanto, a
construção de um plano de capacitação digital
contínua, modular e contextualizado, ancorado
na DGP e operacionalizado em parceria com a
DTI. Três alternativas foram consideradas e
descartadas: a contratação de cursos externos
para servidores individuais, que não resolve a
heterogeneidade entre setores; a terceirização
integral da capacitação, que preserva a
desconexão com o cotidiano dos sistemas do
IFAL; e a oferta concentrada em momentos de
implantação de novos módulos, que é
justamente o padrão historicamente adotado e
que produziu o déficit estrutural diagnosticado.
O formato preferido pelos servidores —
híbrido, combinando conteúdo online com
prática presencial — foi adotado como espinha
dorsal do plano, complementado por tutoriais
de consulta rápida para uso autônomo no
momento da necessidade operacional.
09
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
OBJETIVOS DA PROPOSTA
Implementar, no quadriênio 2026-2029, um plano de capacitação digital contínua para os
servidores do IFAL que opere como instrumento de desenvolvimento permanente de
competências e de elevação da eficiência dos serviços prestados pela instituição,
operacionalizando o Objetivo Estratégico 10 do PETIC 2024-2028.
A proposta se materializa em seis objetivos específicos que traduzem o diagnóstico em ações
concretas: estruturar trilhas formativas diferenciadas por área de atuação funcional,
contemplando as assimetrias de uso entre SIPAC e SIGAA; priorizar os eixos temáticos com
maiores lacunas diagnosticadas (segurança digital, resolução de problemas, operação avançada
dos sistemas e LGPD); adotar formato híbrido como espinha dorsal, complementado por tutoriais
de consulta rápida; estabelecer periodicidade contínua com ciclos semestrais de oferta; produzir
materiais de referência padronizados para todos os campi; e monitorar sistematicamente o
impacto das ações sobre os indicadores de eficiência mapeados na pesquisa.
Meta institucional
100% dos servidores capacitados
em competências digitais até
2028
O plano responde diretamente às cinco
áreas de necessidade formativa mais
urgentes identificadas pela pesquisa:
operação avançada do SIPAC (apontada
por
104
servidores),
segurança
da
informação e LGPD (97), ferramentas de
produtividade (93), edição de documentos
digitais (91) e operação avançada do SIGAA
(53).
A escolha do formato híbrido como
modalidade central decorre da pesquisa:
foi
a
preferência
de
33,2%
dos
respondentes,
seguida
por
imersão
presencial prática e tutoriais rápidos em
vídeo ou texto, empatados em 22,8% cada.
O formato 100% online ao vivo, com apenas
8,4% de preferência, foi descartado como
modalidade principal.
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
10
A proposta organiza-se em torno de cinco princípios norteadores, cada um derivado de uma
fragilidade específica identificada no diagnóstico. A continuidade enfrenta a descontinuidade das
ações formativas atuais, instituindo ciclos semestrais permanentes em vez de eventos pontuais. A
modularidade responde à heterogeneidade de perfis: as trilhas independentes por área funcional
permitem que cada servidor percorra apenas o que é relevante à sua função.
O hibridismo metodológico atende à preferência manifestada pelos próprios servidores e
coordenadores, combinando encontros presenciais práticos com conteúdos online assíncronos e
tutoriais de consulta rápida. A contextualização exige que todos os conteúdos estejam ancorados
nas funcionalidades efetivamente utilizadas no IFAL, e não em ambientes genéricos de treinamento.
Por fim, a orientação a resultados converte a formação em mecanismo avaliável, vinculando cada
módulo aos indicadores de eficiência mapeados na pesquisa.
A barreira não é a resistência dos servidores.
Apenas 3% declararam não sentir necessidade
de capacitação. O obstáculo central é a
insuficiência e a inadequação da oferta
formativa, apontada como principal barreira
por 120 dos 202 respondentes.
O plano proposto não é uma ação isolada
de
treinamento,
mas
uma
política
formativa
permanente
que
articula
diagnóstico contínuo, oferta estruturada,
acompanhamento
de
impacto
e
retroalimentação.
Sua
implementação
exige governança compartilhada entre DGP
e DTI, com apoio das direções dos campi.
11
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
PTT - PROPOSTA DE
INTERVENÇÃO
A arquitetura formativa organiza-se em
quatro
componentes
integrados:
trilhas
formativas por área de atuação, eixos
temáticos prioritários derivados das lacunas
mapeadas no diagnóstico, diretrizes de
formato
e
periodicidade
alinhadas
às
preferências dos servidores e indicadores de
monitoramento vinculados aos construtos de
eficiência.
A proposta foi desenhada a partir dos
princípios
demandados
pelos
próprios
coordenadores
entrevistados:
prática
contextualizada como modalidade central,
continuidade como regime, especificidade de
conteúdo
como
critério
curricular
e
disponibilidade de recursos de consulta
autônoma como suporte permanente.
Trilha A — Operação Administrativa (foco SIPAC)
Público: ~770 servidores da área
administrativa/sistêmica
Trilha B — Operação Acadêmica (foco SIGAA)
Público: ~1.180 servidores da área
acadêmica/ensino
Trilha C — Competências Transversais
Público: todos os 1.918 servidores
O critério de organização das trilhas é a área
funcional predominante, e não o cargo de
origem, porque os dados mostram que TAEs e
docentes podem operar nos dois sistemas
dependendo da função que ocupam.
12
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
Diretrizes de formato
Os eixos temáticos prioritários foram
definidos pela convergência entre as
lacunas de competência identificadas no
survey e as necessidades formativas
declaradas pelos servidores: segurança
digital e LGPD, resolução autônoma de
problemas técnicos, operação avançada do
SIPAC e do SIGAA e ferramentas de
produtividade digital. A definição dos
conteúdos específicos de cada módulo
cabe à DGP em articulação com a DTI, a
partir do diagnóstico atualizado a cada
ciclo.
Formato híbrido como espinha dorsal:
conteúdo teórico em plataforma
online assíncrona combinado com
oficinas presenciais práticas em
laboratório, com acesso ao sistema
real e resolução de casos do
cotidiano. Tutoriais rápidos em vídeo e
manuais padronizados disponíveis
permanentemente
para
consulta
autônoma.
Diretrizes de periodicidade
Ciclos semestrais permanentes, com
integração de servidores recémempossados ao ciclo vigente. Módulos
emergenciais complementam o ciclo
regular
sempre
que
houver
atualização relevante nos sistemas.
Cada campus contará com ao menos
um
servidor
multiplicador
para
suporte contínuo entre os ciclos.
O monitoramento do plano vincula-se diretamente aos indicadores de eficiência
mapeados na pesquisa: agilidade na tramitação, qualidade dos documentos produzidos,
acesso à informação nos sistemas, economia de recursos e satisfação do usuário. A
avaliação de impacto inclui questionário de reação ao final de cada módulo, reaplicação
periódica do diagnóstico de competências e acompanhamento dos indicadores
operacionais pela DGP. Os resultados de cada ciclo retroalimentam o planejamento do
ciclo seguinte.
Indicadores de monitoramento
Acesso à informação
15%
Cobertura
formativa
25%
Metas progressivas de
cobertura
100
80
60
Qualidade dos
documentos
20%
40
20
Efetividade percebida
20%
Agilidade na
tramitação
20%
0
2026
2027
2028
2029
13
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
AUTORIA DA PROPOSTA
Discente
José Henrique Ferreira da Silva
Mestrando do PROFIAP
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
E-mail: jose.henrique@arapiraca.ufal.br
Vínculo institucional
Universidade de vínculo do programa:
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Data de finalização: 18 de maio de 2026
Orientador
Prof. Dr. Nicholas Joseph Tavares da Cruz
Docente orientador
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
nicholas.cruz@feac.ufal.br
Programa de Mestrado Profissional em
Administração Pública em Rede Nacional
(PROFIAP)
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
14
REFERÊNCIAS
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I.; DRUGĂU-CONSTANTIN, A. L. Main factors
and causes that are influencing the digital
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Administratie si Management Public, n. 41, p.
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Competences
That
Foster
Digital
Transformation of Public Administrations: An
Austrian
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Sciences, v. 13, n. 2, p. 44, 2023. DOI:
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FARRELL, C.; HICKS, J. Developing Public
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IFAL, 2024.
BRASIL. Instituto Federal de Alagoas. Portaria
nº 885, de 28 de fevereiro de 2020. Institui a
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BRASIL. Instituto Federal de Alagoas. Relatório
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HARGITTAI, E. Second-Level Digital Divide:
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Monday,
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LOPES, A. S.; SARGENTO, A.; FARTO, J. Training
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Public Sector. Sustainability, v. 15, n. 13, p.
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ORGANIZAÇÃO
DAS
NAÇÕES
UNIDAS.
Transformando nosso mundo: a Agenda
2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Nova York: ONU, 2015. Disponível em:
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.
15
PLANO DE CAPACITAÇÃO DIGITAL CONTÍNUA
Protocolo de recebimento do produto
técnico-tecnológico
À Sra.
Adriana Paula Nogueira dos Santos Lopes
Diretora de Gestão de Pessoas (DGP)
Instituto Federal de Alagoas (IFAL)
Pelo presente, encaminhamos o produto técnico-tecnológico intitulado "Plano de Capacitação
Digital Contínua para os Servidores do Instituto Federal de Alagoas", derivado da dissertação de
mestrado "Capacitação Digital na Eficiência dos Serviços Públicos: Uma Proposta de
Capacitação Digital no Instituto Federal de Alagoas — IFAL", de autoria de José Henrique Ferreira
da Silva.
Os documentos citados foram desenvolvidos no âmbito do Mestrado Profissional em
Administração Pública em Rede Nacional (PROFIAP), instituição associada à Universidade Federal
de Alagoas (UFAL).
A solução técnico-tecnológica é apresentada sob a forma de Manual/Protocolo (categoria de
produção técnica reconhecida pela CAPES para a área 27), e seu propósito é implementar, no
quadriênio 2026-2029, um plano de capacitação digital contínua que opere como instrumento
de desenvolvimento permanente de competências e de elevação dos indicadores de eficiência
dos serviços prestados pela instituição.
Solicitamos, por gentileza, que ações voltadas à implementação desta proposição sejam
informadas à Coordenação Local do PROFIAP, por meio do endereço profiap@feac.ufal.br.
Maceió, AL
Registro de recebimento
de
de 20
Discente: José Henrique Ferreira da Silva,
mestrando em Administração Pública
(PROFIAP)
Orientador: Prof. Dr. Nicholas Joseph
Tavares da Cruz
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
18 de maio de 2026
17
ATRIBUTOS QUALIFICADORES DO PTT
Impacto
O Plano de Capacitação Digital Contínua incide diretamente sobre um problema documentado
empiricamente: mais de 92% dos servidores do IFAL não possuem participação sistemática em
ações de formação digital institucional, e os indicadores de eficiência que dependem da
proficiência do servidor permanecem em patamares insatisfatórios. A implementação do plano
tem potencial de elevar a qualidade da tramitação processual, reduzir o retrabalho nos setores,
diminuir
a
sobrecarga
das
equipes
de
TI
com
chamados
de
suporte
rotineiro
e,
consequentemente, melhorar o atendimento prestado à comunidade acadêmica e à sociedade
alagoana. O impacto é institucional (ao operacionalizar o Objetivo Estratégico 10 do PETIC 20242028) e social (ao fortalecer a capacidade do IFAL de entregar serviços públicos de qualidade).
Aplicabilidade
O plano foi desenhado para aplicação imediata no contexto institucional do IFAL, ancorando-se
na estrutura de governança já existente: a Diretoria de Gestão de Pessoas como coordenadora
da política, a Diretoria de Tecnologia da Informação como parceira na definição de conteúdos e
as direções dos campi como executoras locais. Não exige contratação de consultorias externas
nem aquisição de sistemas adicionais, utiliza a infraestrutura de laboratórios e plataformas já
disponíveis na instituição. A articulação com o Plano de Desenvolvimento de Pessoas (PDP)
garante respaldo normativo para a execução das ações formativas.
Replicabilidade
A arquitetura modular do plano (trilhas por área funcional, eixos temáticos derivados de
diagnóstico empírico, formato híbrido e indicadores de monitoramento) é transferível para
qualquer instituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica que
utilize os mesmos sistemas (SIPAC e SIGAA) e enfrente desafios análogos de capacitação digital.
Os Institutos Federais compartilham estrutura multicampi, quadro funcional heterogêneo e
dependência dos mesmos sistemas administrativos e acadêmicos, o que torna o modelo
diretamente adaptável. O instrumento de diagnóstico (questionário validado com 202
servidores) também pode ser replicado em outras instituições para mapear lacunas locais antes
da implementação.
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Inovação
A originalidade do plano reside em três aspectos. Primeiro, a fundamentação empírica: diferente
de propostas genéricas de treinamento, cada componente do plano responde a um dado
concreto da pesquisa, as trilhas derivam dos perfis de uso identificados, os eixos temáticos das
lacunas mapeadas, o formato das preferências declaradas e os indicadores dos construtos de
eficiência avaliados. Segundo, a articulação entre o framework internacional de competências
digitais (DigComp) e os indicadores de eficiência organizacional específicos do contexto
institucional, abordagem ainda pouco explorada na literatura sobre transformação digital em
instituições federais de ensino do Nordeste brasileiro. Terceiro, a lógica de retroalimentação: os
resultados de cada ciclo formativo alimentam o diagnóstico do ciclo seguinte, superando o
padrão de ações pontuais e desconectadas que produziu o déficit estrutural diagnosticado.
Complexidade
O plano opera em um ambiente institucional de alta complexidade organizacional: dezesseis
campi distribuídos em quinze municípios, 1.918 servidores com perfis funcionais heterogêneos,
dois sistemas centrais com lógicas de operação distintas e um histórico de descontinuidade nas
políticas de capacitação. A proposta enfrenta essa complexidade por meio da modularidade
(trilhas independentes por área funcional), da descentralização (multiplicadores locais por
campus) e da governança compartilhada (articulação DGP-DTI-campi), evitando soluções
centralizadas que historicamente não alcançaram a capilaridade necessária.
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EVIDENCIAÇÃO DE IMPLEMENTAÇÃO E
IMPACTO DA PROPOSTA
Impacto potencial
O plano ainda não foi implementado, de modo que esta seção registra o impacto potencial
estimado com base no diagnóstico empírico produzido pela pesquisa e na literatura de
referência.
Edelmann, Mergel e Lampoltshammer (2023), ao analisarem academias digitais internas em
organizações públicas europeias, documentaram ganhos superiores a 60% na eficiência de
processos quando o modelo formativo combina metodologias diversas e conta com apoio
institucional da liderança. Aplicado ao contexto do IFAL, o plano tem potencial de produzir os
seguintes efeitos:
No curto prazo (2026-2027): elevação da cobertura formativa de aproximadamente 8% para
50% dos servidores, redução dos chamados de suporte à TI para problemas operacionais
rotineiros e padronização dos procedimentos básicos de tramitação processual nos dezesseis
campi.
No médio prazo (2027-2028): atingimento da meta de 100% de servidores capacitados prevista
no PETIC 2024-2028, elevação dos indicadores de qualidade e agilidade nos sistemas SIPAC e
SIGAA, conclusão do Assentamento Funcional Digital em todos os campi e consolidação da rede
de multiplicadores locais.
No longo prazo (2028-2029): institucionalização da capacitação digital como política
permanente e autossustentável, integração plena ao ciclo anual do PDP, redução estrutural das
assimetrias de competência entre campi e construção de cultura organizacional orientada à
melhoria contínua das competências digitais.
Indicadores para evidenciação futura
A evidenciação de impacto real poderá ser atualizada por três quadriênios avaliativos,
conforme previsto pela Rede PROFIAP. Os indicadores recomendados para aferição são:
percentual de servidores capacitados por ciclo semestral (fonte: registros da DGP); evolução da
efetividade percebida pelos participantes (fonte: questionários de reação); variação nos
indicadores de eficiência dos sistemas (fonte: reaplicação do survey diagnóstico); evolução do
Assentamento Funcional Digital (fonte: Relatório de Gestão); e volume de chamados de suporte
à TI para problemas operacionais (fonte: registros da DTI).
A reaplicação do instrumento de diagnóstico desenvolvido nesta pesquisa ao final do primeiro
e do segundo ano de implementação permitirá comparação direta com a linha de base
estabelecida em 2025-2026, conferindo objetividade à mensuração do impacto.
